No dia 21 de junho de 2022, o Espaço Cultural da UEMG, na Praça da Liberdade, recebeu um encontro inspirador que reuniu profissionais de diferentes áreas para refletir sobre os novos rumos da sustentabilidade: o debate “Design e Economia Circular”. Mediado por Andreia Salvan e Cláudia Campos, o evento contou com as presenças de Luiza Franco, fundadora da Casa Zero; Marcella Mafra (Fundadora) e Dani Queiroga, do Libertese; e Dane Luz e Luísa Luz, fundadoras do Estúdio Veste.

O diálogo abordou temas que vão além das práticas sustentáveis convencionais, propondo uma reflexão sobre o capitalismo de stakeholders, as transformações nos modelos de produção e consumo e a urgência de integrar propósito, regeneração e responsabilidade social às estratégias de negócio. Dados alarmantes sobre o uso excessivo dos recursos naturais e o desequilíbrio ecológico — como os divulgados pelo Bank of America, que alerta que 99% de tudo o que é produzido se torna lixo em seis meses — reforçaram a necessidade de um reposicionamento global em direção à economia circular, baseada nos princípios de reduzir, reutilizar, reciclar e regenerar.

Nesse contexto, a Casa Zero contou sua abordagem sistêmica e prática em relação à economia circular e ao design regenerativo. A Casa Zero tem como essência projetar ambientes que não apenas reduzam impactos, mas também promovam saúde, bem-estar e reconexão com a natureza. A empresa integra em seus projetos o conceito de “casa saudável”, no qual os espaços são planejados para oferecer qualidade do ar, iluminação natural equilibrada, uso de materiais não tóxicos, reaproveitamento de recursos e incentivo a um estilo de vida mais consciente e conectado ao ambiente.

Para a arquiteta Luiza Franco, fundadora da Casa Zero, “repensar o modo como produzimos e consumimos é também repensar a forma como habitamos o mundo”. Seus projetos e consultorias funcionam como ferramentas de educação ambiental, mostrando que a arquitetura pode — e deve — ser um agente de regeneração, estimulando novos hábitos e um olhar mais empático para o planeta.

O evento reforçou que design, economia e ecologia estão intrinsecamente ligados. A economia circular, quando aplicada ao campo criativo, propõe um ciclo contínuo de vida para os materiais, reduzindo o desperdício e promovendo o uso consciente dos recursos. Essa visão vai ao encontro da missão da Casa Zero: transformar o cotidiano das pessoas a partir de escolhas mais humanas, saudáveis e sustentáveis.

O Apartamento Cristina, antes da reforma, apresentava desproporção nas áreas destinadas ao social e ao serviço. Um “quarto de emprega”, cômodo comum em casas brasileiras remetendo ao modelo escravocrata de segregação entre moradores e funcionários, possuía medidas inadequadas ao uso, além de não haver ventilação e iluminação diretas.

Dentro deste contexto, foi proposta:

· Integração dos ambientes dando novo uso para o “quarto de empregada”

· Transformação do antigo e pequeno banheiro de serviço em um lavabo

· Decoração moderna com divisória e estante modular de serralheria e madeira.

A partir desta proposta o apartamento reformado trouxe um maior aproveitamento ao conectar os ambientes. Houve um aumento da iluminação natural e a possibilidade de ventilação cruzada, garantindo mais conforto térmico e lumínico no espaço. A sala integrada à cozinha foi possível a partir da demolição de parte da parede existente e, para a redução da geração de resíduos e custos na obra, o apoio da bancada gourmet se deu em meia parede mantida.

O novo lavabo traz consigo uma releitura para ser um ambiente mais democrático. A bancada com novo lavatório e uma porta maior e pivotante fez dele um ambiente de uso para qualquer frequentador do lar, seja morador, visita ou funcionário. Além disso, a presença de um banheiro mais acessível nessa área da casa torna a parte social do apartamento mais independente. 

Em relação aos acabamentos, foram escolhidos vernizes e tintas com baixa emissão de componentes tóxicos, os chamados VOC’s – Compostos Orgânicos Voláteis. Como a intenção era reduzir resíduos no processo de demolição e garantir eficiência no orçamento, no lavabo foi instalado, piso sobre piso, um porcelanato adquirido da sobra de outra obra feita pela Casa Zero. 

Mantendo a proposta de adotar estratégias mais econômicas e sustentáveis, não foi feita a troca de revestimentos da cozinha e da lavanderia ou mesmo do piso da área social. A proposta foi buscar cerâmica e porcelanato compatíveis em “cemitérios de azulejos”  e complementar como um quebra-cabeça as partes após demolição. Uma divisória leve e translúcida entre a lavanderia e a sala garantiu a entrada de luz natural ao mesmo tempo em que proporciona, quando necessária, a separação destes ambientes. 

A reforma precisou do reforço estrutural solucionado com a instalação de perfis metálicos.Estes elementos foram incorporados à proposta estética da decoração, trazendo um ar moderno ao apartamento. Não houveram mudanças na hidráulica e, na marcenaria, foi adotada a revitalização com pintura e novos puxadores.

O Apartamento Cristina traz consigo a perspectiva de que é possível reformar garantindo  qualidade, bem-estar e economia para os moradores, ao mesmo tempo em que adota medidas mais generosas com o meio ambiente.

Fotografias: Juliana Berzoine

Ficou curioso para saber mais sobre o Apartamento Cristina? Assista no nosso canal no YouTube a série Apartamento Cristina onde mostramos cada detalhe!

Esta foi a reforma de um apartamento no famoso Conjunto JK localizado em Belo Horizonte (MG). O edifício, ícone da Arquitetura Moderna com projeto de 1952 do arquiteto Oscar Niemeyer, vai ganhar maior destaque com o processo de tombamento aberto em 2021 para torná-lo Patrimônio Cultural da cidade.

 O Apartamento JK, situado no 7º andar de uma das torres do edifício, ganhou a valorização necessária neste contexto histórico arquitetônico ao qual se insere. No projeto foi proposta a integração da cozinha com a sala e o acréscimo de outro banheiro. Além, é claro, da renovação completa dos sistemas elétricos e hidráulicos existentes há mais de 50 anos. O novo arranjo passou a valorizar ainda mais a vista da fachada toda envidraçada para habitar um casal que adora receber visitas.

 Os 70 m2 foram ainda mais potencializados com a adoção de estratégias visando a otimização e a sustentabilidade na concepção, construção e pós-ocupação. Destacam-se alguns elementos:

· Layout planejado associado à contribuição da entrada de iluminação e ventilação naturais, além de otimizar os fluxos de passagem pelos ambientes.

· Pé-direito alto com aproveitamento máximo da altura final a partir da retirada de forros/lajes não estruturais antes existentes.

· Estrutura de concreto toda aparente valorizando a história arquitetônica do edifício e ainda trazendo a economia na compra de novos materiais de acabamento e dando facilidade em manutenções futuras.

· Sistema de iluminação planejado garantindo qualidade e distribuição com eficiência energética do tipo LED.

· Elétrica renovada e aparente dando facilidade e economia em manutenções futuras e redução na geração de resíduos em obra.

· Hidráulica renovada com sistemas economizadores do consumo de água.

· Versatilidade de uso dos banheiros permitindo ser parte da suíte com banheiro duplo espelhado ou um banho para a suíte e um banheiro social individualizado.

· Bancada móvel da cozinha com rodízio dando versatilidade na composição dos ambientes com a amplitude ou integração de acordo com a conveniência.

· Área de serviço e equipamentos planejados para facilitar a operação no dia a dia, incluindo porta de correr para separação de ambientes sociais da área de lavanderia.

· Estudo do dimensionamento e paginação dos revestimentos para minimização da geração de resíduos.

· Recuperação de piso existente em madeira Peroba Rosa trazendo o conceito da restauração atrelado à redução de custo com materiais na obra.

Fotografia: Juliana Berzoine

Como parte de seu compromisso com práticas mais sustentáveis e alinhadas à sua identidade institucional, a Casa Sagarana contou com uma consultoria especializada em sustentabilidade para desenvolver uma abordagem integrada de comunicação visual e gestão ambiental. O principal produto desta consultoria foi o Guia de Comunicação dos Gestos de Sustentabilidade, um instrumento técnico de apoio à sinalização, ambientação e gestão dos espaços físicos da Casa, com foco na coerência entre discurso, prática e experiência do público.

Objetivo do Guia: comunicar com clareza e fortalecer o posicionamento institucional

O Guia de Comunicação foi desenvolvido com o objetivo de sistematizar a forma como os compromissos socioambientais da Casa Sagarana são representados em seus espaços físicos. A proposta foi garantir que esses compromissos sejam percebidos de maneira clara, estratégica e integrada à cultura organizacional, por meio de elementos de sinalização visual, simbologias e textos orientativos.

O material foi construído a partir de assessoria presencial especializada, que envolveu diagnóstico situacional, levantamento de boas práticas já implementadas, escuta ativa da equipe gestora e análise das oportunidades de aprimoramento da comunicação nos ambientes.

O trabalho foi estruturado em torno de três eixos principais: Gestão e Uso do Espaço. Dentro desses eixos, foram identificadas categorias temáticas fundamentais para fortalecer a coerência do espaço físico com os princípios da sustentabilidade e com a missão institucional. Cada categoria foi detalhada com orientações práticas para definição de estratégias para refletir as ações existentes ou as serem incorporadas.

Categorias desenvolvidas no Guia:

  • Energia Renovável

Diretrizes para valorizar visualmente o uso de fontes limpas e renováveis, reforçando o posicionamento da Casa quanto à transição energética.

  • Economia de Energia

Estratégias de sinalização e comunicação que promovem o uso racional da energia elétrica, com foco na eficiência e no comportamento do usuário.

  • Gestão de Resíduos

Identificação de pontos de descarte, comunicação sobre separação de resíduos e incentivo à compostagem, com clareza visual e acessibilidade.

  • Qualidade do Ar

Indicações sobre elementos naturais e sua representação como parte da promoção da saúde ambiental.

  • Conectividade e Mobilidade

Propostas para sinalização de espaços destinados a bicicletas, áreas de circulação de pedestres e incentivo à mobilidade sustentável.

  • Integração com a Natureza

Orientações sobre como valorizar áreas verdes, espécies nativas e a relação do edifício com o entorno natural, tanto na linguagem visual quanto na ambientação.

  • Comunicação Acessível

Criação de uma linguagem visual inclusiva, com simbologias universais, sinalização legível e integração com práticas de acessibilidade.

O Guia de Comunicação dos Gestos de Sustentabilidade possibilitou à Casa Sagarana:

  • Fortalecer sua identidade institucional sustentável,
  • Harmonizar suas práticas internas com uma comunicação visual estratégica,
  • Oferecer uma experiência mais educativa, coerente e acessível ao público,
  • Implementar um modelo replicável de gestão e sinalização validado por uma terceira parte, a Casa Zero.

Fotografias: Juliana Berzoini

No dia 14 de abril, a Casa Zero, a convite da professora Renata Bacelar Teixeira, participou de uma conversa inspiradora com mais de 60 profissionais da Pós-graduação da Ânima Educação. O encontro teve como foco a abordagem integrada da Casa Zero para as especificações sustentáveis em diferentes áreas da arquitetura e do design: Processos Criativos e Inovação, Retrofit e Patologia nas Construções e Interiores, Tendências e Tecnologia.

Mais do que apresentar metodologias, o momento foi um convite à reflexão sobre como a sustentabilidade pode ser incorporada como essência de projeto, e não apenas como uma etapa técnica ou estética.

Processos Criativos e Inovação:

Os processos criativos são pautados pela busca de soluções regenerativas e conscientes, onde o “gesto sutil” se torna uma ferramenta de transformação. Essa abordagem incentiva a experimentação com propósito, unindo o olhar artesanal à pesquisa tecnológica. A inovação, portanto, não é vista como ruptura, mas como continuidade com o que é essencial — a harmonia entre o humano e o ambiente construído.

Retrofit e Patologia nas Construções:

O segundo pilar abordado foi o retrofit, uma prática que ganha cada vez mais relevância em tempos de urgência climática. Tratar patologias construtivas, nesse contexto, é também compreender o edifício como um organismo vivo — que precisa ser cuidado, diagnosticado e regenerado. Assim, o retrofit se torna um ato de responsabilidade ambiental e cultural, conectando passado e futuro em uma mesma narrativa arquitetônica.

Interiores, Tendências e Tecnologia:

Ao falar de interiores, a Casa Zero propõe um olhar que ultrapassa tendências passageiras. O foco está na criação de ambientes saudáveis, confortáveis e emocionalmente equilibrados, que dialogam com o conceito de Casa Saudável.

A tecnologia, nesse contexto, aparece como aliada da percepção humana: sistemas de automação que otimizam recursos, simulações computacionais de conforto térmico e lumínico, e o uso de materiais de baixo impacto e alta durabilidade.

Mais do que acompanhar tendências, o desafio é reinterpretá-las de forma consciente, priorizando o bem-estar e o ciclo de vida dos materiais e produtos escolhidos.

Um olhar integrado e sistêmico

A participação da Casa Zero na Pós-graduação da Ânima Educação reforça a importância da formação de profissionais que compreendam a sustentabilidade como um eixo transversal — que une criatividade, técnica e propósito.

A conversa reafirmou que o futuro do setor não está apenas em novas tecnologias, mas na reconexão com os valores humanos e ecológicos que guiam cada projeto.

O projeto EcoUrb, vinculado ao Departamento de Engenharia Urbana (Deurb) da UFOP e apoiado pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex), promoveu, nos dias 15, 22 e 29 de julho de 2021, o IV Encontro & Diálogos Ecológicos, com o tema “Cidades criativas e sustentáveis”.

O evento teve como objetivo fomentar discussões sobre estratégias para garantir uma convivência harmoniosa com o planeta, promovendo o consumo consciente e incentivando ações que melhorem a qualidade de vida urbana. A proposta do encontro ultrapassou a abordagem da redução do consumo, abordando também formas de adotar práticas sustentáveis que contribuam para o bem-estar coletivo e individual.

Nesse contexto, o conceito de cidades criativas foi explorado como um eixo de inovação e difusão de conhecimento, destacando-se a sustentabilidade como elemento central para o desenvolvimento urbano contemporâneo.

A Casa Zero integrou a mesa de debate com o tema “Cidades ecológicas: inspiração, motivação e tecnologias para construção de comunidades sustentáveis”. Durante a participação, Luiza Franco apresentou conceitos e práticas que fazem parte da essência da Casa Zero, destacando como os Gestos Sutis de Sustentabilidade, as ações cotidianas que muitas vezes passam despercebidas, podem gerar transformações significativas no mundo. Ao apresentar essas atitudes do dia a dia, ela evidenciou a escala disso, como estratégias arquitetônicas e urbanas são essenciais para um impacto coletivo e planetário. Luiza reforçou a importância de agir com consciência no presente, sem delegar para as futuras gerações.

Mais detalhes sobre as mesas temáticas a seguir:

Mesa 1 – Cidades humanas: da escala individual à sustentabilidade coletiva urbana

15 de julho de 2021

Palestrantes:

  • Luciana Bragança – Plantas, animais, água e humanos como agentes da cidade
  • Natália Garcia – Cidades para pessoas e pessoas para cidades
  • Cláudia Visoni – Agricultura urbana: um “respiro” à pandemia

Mesa 2 – Cidades ecológicas: inspiração, motivação e tecnologias para construção de comunidades sustentáveis

22 de julho de 2021

Palestrantes:

  • Luiza Franco – Gestos sutis de sustentabilidade
  • Mariane Zambelli – Certificações ambientais no Brasil
  • Francisco Assis – Uso do IPTU Verde como instrumento socioambiental

Mesa 3 – Cidades criativas: viver de forma criativa dentro dos limites planetários

29 de julho de 2021

Palestrantes:

  • Rose Meusburger – Cidade Criativa como possibilidade de desenvolvimento local
  • João Victor Teixeira – Economia circular
  • Ricardo Fiorotti – Inovações tecnológicas construtivas com reaproveitamento de resíduos

O IV Encontro & Diálogos Ecológicos reafirma o compromisso com a construção de cidades mais conscientes, integrando conhecimento acadêmico, práticas inovadoras e responsabilidade socioambiental.

Localizado no condomínio Parque das Águas de Serra Morena, em Jaboticatubas, o Projeto J&M nasceu do encontro com clientes que valorizam uma arquitetura comprometida com qualidade, conforto e sustentabilidade. Para além da beleza, esta residência foi concebida para refletir escolhas conscientes: materiais de excelência, integração com a natureza e soluções projetuais que promovem bem-estar no dia a dia.

Cada decisão foi guiada pelo cuidado em criar uma casa eficiente, saudável e acolhedora. Estratégias como terraço verde, iluminação zenital e ventilação cruzada foram incorporadas para garantir uma vivência equilibrada entre interior e exterior, reduzindo impactos ambientais e ampliando o conforto dos moradores.

Planta 1º pavimento:

Planta 2º pavimento:

Assim, o Projeto J&M traduz um jeito de morar que valoriza o essencial: o equilíbrio entre pessoas, espaço construído e natureza.

As diretrizes adotadas neste projeto foram:

  •  Terraço verde:

Permite conexão dos moradores com o exterior e com os elementos da natureza.

  •  Iluminação zenital:

Escolher por esse mecanismo permite que lugares que não seriam iluminados sejam, permitindo que esse espaço se torne mais saudável e tirando a necessidade de utilizar iluminação artificial mesmo sendo dia. 

  • Ventilação cruzada:

Essa escolha permite que a casa tenha internamente um melhor fluxo de ar e que o ar quente saia com mais facilidade. Dessa forma, a residência obtém conforto ambiental.

  •  Aquecimento solar passivo

É sempre necessário a análise da edificação em relação a radiação solar, pois assim os Arquitetos decidem pela posição dos ambientes e para que se tome outras decisões projetuais que aproveitem a iluminação e o calor natural. 

  • Intervenção mínima na topografia:

É necessário compreender que as construções intervêm no solo onde se é edificado. Assim, quanto menor for a intervenção, melhor será para o meio ambiente.

  • Tamanho e fluxo dos ambientes:

Esses permitem que o espaço seja mais acessível. Além disso, ao pensar nos fluxos dos moradores a residência se torna mais inteligente e agradável para se viver.

  • Indicação dos materiais construtivos:

Materiais esses que pensam na saúde dos moradores e que são sustentáveis na sua cadeia produtiva.

  • Conexão dos espaços internos com o exterior:

A cozinha e o lavabo atendem a casa internamente e por estarem bem localizados a arquitetura permite que esses espaços também sejam utilizados pelos ambientes externos. 

Dessa forma, a escolha projetual reduziu a necessidade de construir mais espaços e tornou os ambientes mais úteis em diferentes condições de uso.

A seguir vídeo completo do projeto:

Projeto: Luiza Franco e Luciana Castro

Imagens: Roberta Lima

Mais um projeto no município de Moeda, em Minas Gerais, onde buscamos equilibrar a beleza da Serra da Moeda com os sonhos dos clientes e os princípios da bioclimatologia. Afinamos intenções com conhecimento técnico para alcançar uma arquitetura sustentável, capaz de dialogar com o clima local e com a paisagem natural.

Para isso, realizamos uma análise bioclimática minuciosa, que orientou a implantação com mínima intervenção topográfica e a distribuição dos cômodos e aberturas, aproveitando ao máximo a iluminação e a ventilação naturais da região. A escolha dos materiais para paredes e cobertura também foi feita de forma criteriosa, garantindo o desempenho térmico adequado conforme as normas e favorecendo a qualidade ambiental interna.

Entre as estratégias aplicadas, destacam-se:

  • Ventilação cruzada, que proporciona conforto ambiental nos dias mais quentes.
  • Iluminação zenital, reduzindo o uso de energia elétrica e promovendo aquecimento solar passivo.
  • Materiais de envoltória adequados ao clima, trazendo conforto térmico em todas as estações.

Essas escolhas resultaram em benefícios concretos: economia na construção, eficiência energética no uso futuro, qualidade ambiental interna e valorização do imóvel. Mas, mais do que números, o que confirma o sucesso do projeto é a experiência do cliente. Ouvir de quem habita o espaço que “a casa é muito confortável — fresca nos dias de calor e acolhedora no frio” reforça o impacto positivo de uma arquitetura feita para o bem-estar.

Vale ressaltar também que a gestão da obra foi fundamental. A parceria com clientes e gestores de obra transformou o processo em uma troca rica de conhecimentos, possibilitando a compatibilização precisa dos projetos complementares e garantindo que as estratégias construtivas fossem executadas com excelência.

O filme feito por Roberta Lima nos apresenta novas perspectivas e percepções sobre esse lindo projeto:

Projeto arquitetônico:

Luiza Franco e Paula Carvalho

Análises bioclimáticas:

Luiza Franco

Vídeo e imagens:

Roberta Lima

A Casa Zero é um ponto de partida promissor para quem acredita na força dos gestos sustentáveis no ambiente construído. Somos uma empresa que promove a cultura da sustentabilidade de forma simples e acessível a partir de consultorias, palestras e realização de projetos para pessoas e negócios. Acreditamos que a sustentabilidade é possível com economia e rentabilidade integradas à aplicação de gestos ambientais e sociais.

Auxiliamos pessoas, negócios e profissionais da arquitetura e construção na seleção de produtos, serviços e tecnologias que potencializam a minimização de impactos e o caminho para uma sustentabilidade. Este apoio contempla a análise da qualidade técnica, o investimento e os benefícios.

Funcionamos como um radar de mapeamento contínuo e não temos exclusividade em nenhuma marca, empresa ou fornecedor. Com este apoio os clientes têm acesso ao que tem de mais inovador e eficiente no mercado para auxiliar na sua decisão de aquisição.

Para apoiar boas escolhas de tecnologias na aplicação, em projetos ou edificações existentes, oferecemos nossa experiência para os clientes fazerem as melhores escolhas. 

  • O conhecimento especializado, que se torna pertinente em um mercado cada vez mais inovador e com o lançamento frequente de novas tecnologias, produtos e serviços.
  • A otimização, podendo ser feita em um projeto arquitetônico existente ou a partir da realização de um desde o início. Com nosso conhecimento em tecnologia e sustentabilidade, indicamos estratégias arquitetônicas e construtivas que geram mais rentabilidade, qualidade e saúde para as pessoas.
  • Assessoria de clientes que já tenham um arquiteto escolhido para apoiar a introdução destas estratégias.

Abaixo um feeback! Essa foi para apoiar uma pessoa da área de arquitetura que queria embasamento em estratégias mais eficientes e de baixo impacto no seu projeto.

A Casa Zero desmistifica a sustentabilidade. Gestos sustentáveis para reduzir custos e dar rentabilidade para sua empresa e ainda aproximar as pessoas da natureza.

Vamos começar juntos a descomplicar?

A sustentabilidade na arquitetura não se resume apenas a técnicas construtivas inovadoras, mas à capacidade de integrar escolhas conscientes em cada detalhe do projeto. Foi com esse objetivo que a Casa Zero prestou a consultoria para a Casa 96 e o bistrô Manju, hoje Panetteria Carazolli, em Belo Horizonte. O desafio era transformar uma reforma convencional em uma oportunidade de alinhar as estratégias arquitetônicas à princípios, tecnologias e inovações das construções sustentáveis – incorporando todo o conhecimento da Casa Zero aos desejos das clientes sócias do empreendimento.

A partir dessa parceria, surgiram soluções que dialogam diretamente com o meio ambiente e com a economia circular. Um dos destaques foi o canteiro de hortaliças construído em taipa de pilão, técnica que utiliza terra compactada e apresenta menor impacto ambiental em comparação a sistemas tradicionais baseados no uso intensivo do cimento. A horta tornou-se não apenas um elemento funcional do bistrô, mas também um símbolo de como pequenas escolhas podem gerar grandes impactos.

Durante a consultoria, a preservação de acabamentos existentes foi outro ponto fundamental. Manter azulejos e grades já presentes reduziu a geração de resíduos em obra e, ao mesmo tempo, trouxe significados com novos usos para design. Esse cuidado se somou à escolha por tintas minerais e naturais, que qualificam o ambiente interno ao diminuir a presença de compostos tóxicos comuns em materiais de acabamento.

A gestão de resíduos também foi tratada de forma estratégica. As madeiras descartadas na obra foram destinadas à produção de biomassa, enquanto outros materiais, foram rastreados e incorporados à cadeia de reuso ou reciclagem, dando novo sentido à elementos que seriam apenas descartados em aterros sanitários. Essa abordagem não apenas evitou impactos negativos, mas também reforçou o compromisso de que a construção pode ser um processo regenerativo.

Entre as soluções mais emblemáticas foi a instalação da biodigestora, considerada a estrela da casa do ponto de vista comercial . O equipamento transforma resíduos orgânicos em gás natural utilizado na cozinha do estabelecimento, garantindo cerca de duas horas de uso diário, além de gerar adubo líquido que passou a ser aplicado nas plantas do espaço e também comercializado. Assim, o ciclo se fecha: aquilo que seria descartado retorna em forma de energia e insumo produtivo, agregando valor econômico e promovendo consciência ambiental.

Mais do que um exercício técnico, esse projeto se tornou um espaço de aprendizado e inspiração. A consultoria em sustentabilidade da Casa Zero mostrou que a arquitetura, além dos conceitos projetuais da bioclimatologia, pode ser um elo entre a vontade de mudar e a prática cotidiana, revelando que cada escolha é parte de um processo maior de transformação.

A seguir, veja a entrevista completa com as clientes Amanda Doco e Julia Furtado:

Quer entender ainda mais o projeto? No vídeo a baixo contamos um pouco mais sobre ele e em seguida, veja as fotos do nosso projeto.

Fotografias: Juliana Berzoine