As escolas são um ensaio da sociedade que queremos construir. São nelas que os saberes e valores se materializam, não apenas no conteúdo, mas nos espaços, nas rotinas e nas experiências cotidianas. Quando arquitetura, educação e natureza se conectam de forma intencional dentro de uma comunidade escolar, o resultado vai além do aprendizado formal: formamos cidadãos mais conscientes sobre “o que você quer ser quando crescer”.

Nesse cenário, a educação ocupa um papel estruturante frente às mudanças climáticas, justamente por atuar na base da formação social. Ainda assim, os dados revelam um paradoxo preocupante. Segundo o MapBiomas (2024), 4 em cada 10 escolas no Brasil não possuem áreas verdes associadas ao seu entorno. Somam-se a isso estudos referenciados pela ONU, o levantamento de que crianças urbanas passam cerca de 90% do tempo em ambientes fechados, afastadas de experiências fundamentais de contato com a natureza e da construção de vínculos ecológicos.

Se a escola não integra, de forma harmoniosa, natureza e espaço construído, onde e como as crianças experimentam o meio ambiente no seu cotidiano?

A Política Nacional de Educação Ambiental, atualizada em 2024, aponta caminhos relevantes ao abordar temas como mudanças climáticas, preservação da biodiversidade e desastres socioambientais. Mas a questão permanece, e me instiga novamente: Como tudo isso pulsa ou deveria pulsar, de fato, no cotidiano da escola, nos espaços que devem educar?

Com base na minha experiência no setor educacional e como educadora, isso só acontece quando os currículos, programas e práticas são contínuos e integrados. Quando as crianças aprendem, na prática, sobre água, resíduos, energia, biodiversidade, a ecologia no dia a dia. E, digo mais, quando a própria gestão da escola, sua arquitetura, construção e design reforçam aquilo que se ensina.

Quando corredores, pátios, salas de aula, áreas externas e sistemas construtivos refletem escolhas conscientes, a ecologia deixa de ser discurso e passa a ser experiência. A Ecologia Integral se materializa em:

  • Gestos do dia a dia
    Como separar resíduos, economizar água, valorizar áreas verdes, incentivar a mobilidade ativa e ensinar, pelo exemplo, o cuidado com os espaços comuns.
  • Decisões de gestão
    Na escolha de materiais mais sustentáveis, na priorização da ventilação e iluminação naturais, no uso responsável da energia e na criação de ambientes que promovem bem-estar e pertencimento.
  • Práticas coletivas
    Em hortas escolares, projetos interdisciplinares, mutirões comunitários, ações de educação ambiental e experiências que conectam estudantes, educadores e território.

Segundo o arquiteto, urbanista e teórico Christopher Alexander, o ambiente construído não é neutro: ele molda as relações e a forma como as pessoas vivem, mesmo quando essa influência não é percebida conscientemente. Essa definição fundamenta a compreensão da arquitetura como agente pedagógico.

Formação em cidadania planetária

A educação, para além do currículo escolar, passando pela gestão administrativa e pedagógica, reverbera no território e pode se tornar uma ferramenta real de transformação social e ambiental. A educação socioambiental não deve ser apenas conteúdo, devendo ser vivida no espaço físico e na cultura da escola.

Alguns impactos são claros:

  • Desenvolvimento integral das crianças
    Espaços integrados à natureza favorecem concentração, reduzem ansiedade e estresse, fortalecem empatia, cooperação e comunicação, além de estimular a criatividade por meio de experiências sensoriais.
  • Justiça climática nos territórios
    Mais áreas sombreadas e vegetação associada às escolas ajudam a reduzir temperatura, melhorar o microclima local e proporcionar mais bem-estar, especialmente em ambientes urbanos.
  • Conexão com a biodiversidade
    Aprender sobre interdependência ecológica, fortalecer a biodiversidade urbana e criar vínculos reais com a vida que sustenta o território.
  • Engajamento da comunidade escolar
    Famílias mais envolvidas, conhecimento que ultrapassa os muros da escola, fortalecendo o coletivo.

Quando o currículo conecta essas dimensões e é orientado pela Ecologia Integral, ele cumpre plenamente sua função. Nesse contexto, cada prática pedagógica e decisão de gestão contribui para a formação de sujeitos conscientes, ao mesmo tempo em que a arquitetura, os espaços educativos, influenciam diretamente o bem-estar, o desempenho acadêmico e o desenvolvimento criativo dos estudantes, tornando-se exemplos vivos e cotidianos de enfrentamento da crise climática.

Green School de Bali: imersão da Casa Zero

Representando a Casa Zero, tive a oportunidade de vivenciar esse conceito durante uma imersão na Green School de Bali, na Indonésia, em 2025. Em meio a uma paisagem tropical, cercada por florestas, rios e arrozais, validei de forma profunda como a educação, ecologia e arquitetura podem se conectar de maneira prática e significativa.

Na Green School, a ecologia não é um tema complementar: é estruturante. Está presente em todas as disciplinas e práticas escolares, integrando aprendizagem experimental, projetos interdisciplinares e resolução de problemas reais. A escola combina referências das abordagens Montessori e Waldorf com uma proposta educacional própria, baseada em experiências práticas e integração com o meio ambiente.

Para tornar a proposta mais clara, apresento exemplos práticos de projetos aplicados:

  • Aprender a partir de  problemas reais
    Os próprios alunos desenvolveram um biodiesel 100% a partir da reciclagem do óleo de cozinha usado pelos restaurantes da comunidade e o transformaram em combustível que abastece o ônibus escolar da turma. Uma necessidade concreta do cotidiano se transformou em aprendizado, impacto social e experiência prática. Em outro, os estudantes projetam e constroem bicicletas de bambu, conectando técnicas da engenharia e do design, em um processo que integra a responsabilidade ambiental da mobilidade limpa.

fotografia: UNESCO Green Citizens

  • Aprender em comunidade
    Em um campus de aproximadamente 8 hectares, crianças e adolescentes aprendem colocando a mão na massa e participando ativamente da construção da própria escola, desde maquetes, escolha de materiais, tratamento do bambu e uso de tintas ecológicas, até a gestão coletiva dos espaços. Tudo acontece com forte envolvimento das famílias, fortalecendo uma comunidade viva e em constante transformação.

Esse é o tipo de escola, cidade e sociedade que acredito. Essa experiência reforça minha convicção de que escolas podem ser muito mais do que espaços de ensino formal: elas podem ser centros vivos de uma cultura ecológica, da prática da educação socioambiental e de resiliência climática.

Veja a seguir um pouco da infraestrutura da Green School:

Assista abaixo a nossa playlist no YouTube que mostramos um pouco mais sobre como foi essa experiência:

Referências:

BRASIL. Política Nacional de Educação Ambiental – Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999, com alteração pela Lei n. 14.926, de 17 de julho de 2024. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/L14926.htm . Acesso em: 03 fev. 2026. 

ALANA. Pesquisa Verde nas Escolas: diagnóstico da presença de áreas verdes nas escolas brasileiras. Disponível em: https://alana.org.br/pesquisa-verde-nas-escolas/#:~:text=A%20maior%20parte%20das%20escolas,lotes%20(37%2C4%25) r. Acesso em: 03 fev. 2026.

MAPBIOMAS. Nota técnica sobre vegetação e escolas no Brasil. São Paulo: MapBiomas, 2024. Disponível em: https://brasil.mapbiomas.org/wp-content/uploads/sites/4/2024/11/Nota_Tecnica_Vegetacao_Escolas-25-11-2024.pdf . Acesso em: 03 fev. 2026.

CAOS PLANEJADO. Christopher Alexander: o legado de um visionário. Disponível em: https://caosplanejado.com/christopher-alexander-o-legado-de-um-visionario/r. Acesso em: 03 fev. 2026.

Mais do que a satisfação estética do clássico “antes e depois”, uma reforma arquitetônica carrega, em sua essência, o potencial de contribuir para escolhas urbanas menos danosas ao meio ambiente e alinhadas à mitigação das mudanças climáticas. Ao intervir sobre uma edificação existente, partimos do princípio da redução dos impactos construtivos, ao valorizar estruturas, materiais e ocupações urbanas já consolidadas, evitando demolições em larga escala e a expansão sobre novos territórios.

O retrofit de edificações antigas e a reforma de imóveis abandonados são mais ambientalmente vantajosos do que a construção de novos edifícios, oferecendo uma redução de 50% a 75% nas emissões de carbono, considerando que até 70% dos edifícios atuais ainda existirão em 2050. Já a construção de novos edifícios em áreas não urbanizadas frequentemente resulta em maior carbono incorporado. Em contrapartida à expansão urbana descontrolada, a modernização de edificações, em centro urbanos consolidados, evita o desperdício numeroso decorrente de demolições.

Considerando que o ambiente construído é responsável por cerca de 37% das emissões globais, as frentes de atuação nesse setor tornam-se cruciais para o alcance das metas de redução de emissões de carbono, bem como para estratégias de mitigação e adaptação climática.

Na minha prática profissional à frente da Casa Zero, compreendo a reforma como um ato de responsabilidade com a cidade e com o meio ambiente. Para além da estética e da beleza, expectativas legítimas dos clientes, atuar de forma efetivamente comprometida com a arquitetura sustentável exige decisões conscientes desde o início do processo: da escolha de quais projetos captar e realizar à definição de premissas técnicas e estratégicas que orientam cada etapa do trabalho.

Sustentabilidade, nesse contexto, não é um atributo aplicado ao final do projeto, mas uma estratégia transversal. Ela se materializa em escolhas claras, critérios objetivos e em uma postura ética diante do que já existe. A seguir, compartilho os principais princípios e estratégias que norteiam a atuação da Casa Zero nessa vertente, e que ajudam a compreender como uma reforma pode gerar impacto socioambiental real e mensurável.

  • Demolição Assistida

A demolição assistida considera os elementos conectados como piso, paredes e teto de forma cuidadosa e estratégica. Ao contrário da remoção total, prioriza-se o reposicionamento sempre que possível, mesmo quando a integração de ambientes é o objetivo do projeto. Essa abordagem amplia as possibilidades de reaproveitamento de materiais existentes, como revestimentos, portas, esquadrias, marcos e alisares, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.

  • Flexibilidade e Adaptabilidade dos Espaços

O projeto e a execução são orientados pelas reais necessidades dos clientes e usuários, considerando os recursos disponíveis e o modo de uso dos espaços. A funcionalidade do ambiente construído é priorizada, respeitando a identidade própria do local, ao invés de seguir padrões ou tendências puramente estéticas, que muitas vezes desconsideram durabilidade, uso cotidiano e eficiência ao longo do tempo.

  • Curadoria de Materiais e Tecnologias

A seleção de materiais é feita com foco na redução do impacto ambiental, considerando critérios como ciclo de vida, durabilidade e origem. Sempre que possível, priorizam-se materiais, técnicas construtivas e soluções de design de caráter social e local, valorizando cadeias produtivas mais responsáveis.

  • Qualidade Ambiental Interna

A especificação de produtos leva em conta a qualidade do ar interno e a saúde das pessoas. São priorizados materiais com baixa emissão de poluentes atmosféricos e substâncias nocivas, como a análise dos compostos orgânicos voláteis (VOC), comuns em tintas, vernizes e seladores convencionais.

  • Princípios Bioclimáticos

A aplicação de estratégias passivas de projeto como ventilação natural, iluminação natural e correta orientação dos espaços, mobiliários e componentes. Esses princípios bioclimáticos são adotadas para maximizar o uso dos recursos naturais e reduzir a dependência de iluminação artificial e sistemas mecânicos.

  • Modularidade Integrada à Infraestrutura 

A modularidade parte de uma leitura e proposta criteriosa do layout, alinhada à infraestrutura existente, não apenas estrutural, mas também elétrica e hidráulica, considerando dutos e tubulações. Essa abordagem contribui para a minimização de recursos e de intervenções ocultas, muitas vezes invisíveis para clientes e usuários leigos, mas determinantes em custo e impacto. O detalhamento modular permite futuras adaptações, dialogando diretamente com os princípios da economia circular e com a longevidade do edifício.

  • Funcionalidade e Praticidade

A funcionalidade nasce de uma leitura precisa das demandas do cliente, compreendendo hábitos, rotinas e formas de uso dos espaços. Esse entendimento orienta soluções que tornam o ambiente mais prático, eficiente e adequado ao cotidiano, evitando excessos formais e priorizando conforto e usabilidade.

Projetos que materializam o “antes e depois”

Veja, a seguir, reformas de autoria da Casa Zero, nas quais esses princípios e estratégias foram aplicados de forma concreta, revelando como é possível transformar o existente com qualidade arquitetônica, responsabilidade ambiental e impacto social positivo.

Sede Grupo Partners

No ambiente corporativo, o “antes e depois” evidencia como a biofilia pode transformar a relação entre pessoas e espaço de trabalho. A inserção de elementos naturais, o aproveitamento da luz naturais e a criação de ambientes flexíveis demonstram o alinhamento da produtividade com a saúde e bem-estar dos funcionários. Clique aqui para conhecer mais sobre este projeto!

Apartamento GM: Edifício JK

No icônico Edifício JK, a reforma do Apartamento GM evidencia como o retrofit pode elevar o desempenho ambiental e espacial sem romper com a identidade modernista do edifício. A integração dos ambientes valoriza a fachada de vidro, potencializando a entrada de luz natural e a ventilação cruzada, enquanto a preservação da estrutura de concreto aparente e do piso de madeira reduz o consumo de novos materiais. O projeto demonstra como patrimônio e sustentabilidade podem coexistir. Clique aqui para conhecer mais sobre este projeto!

Apartamento LF: Edifício JK

Também no Edifício JK, o projeto reafirma a permanência e a valorização dos elementos originais, evitando revestimentos desnecessários e reduzindo a remoção de materiais, o que impacta diretamente a diminuição de resíduos e o uso de novos insumos. Além disso, estratégias de conforto e de design demonstram que escolhas conscientes fortalecem tanto o desempenho ambiental quanto a identidade do edifício. Clique aqui para conhecer mais sobre este projeto!

Apartamento Cristina

A reforma foi uma revisão crítica do layout original, especialmente da lógica do quarto de serviço. Ao transformar esse espaço em área integrada, iluminada e ventilada, o projeto não apenas melhora o conforto ambiental, mas também questiona modelos arquitetônicos herdados de um passado desigual. O “depois” revela uma planta mais justa, fluida e alinhada a modos de viver contemporâneos, mostrando que arquitetura também é posicionamento social. Clique aqui para conhecer mais sobre este projeto!

Sítio Bela Vista

O processo de requalificação mostrou como a arquitetura sustentável se constrói a partir do respeito ao território. O reaproveitamento da estrutura existente, a valorização de materiais locais e a melhoria do desempenho ambiental do conjunto revelam que o “depois” não precisa ser um rompimento, mas uma evolução consciente do que já estava ali. Clique aqui para conhecer mais sobre este projeto!

A série “Um bom antes e depois” nasce do desejo de ir além do impacto visual. Ela convida a olhar para o processo, para as decisões técnicas, para os critérios ambientais e para as escolhas éticas que sustentam cada transformação. 

Assista à série completa “Um bom antes e depois” no canal da Casa Zero no YouTube e acompanhe nossos canais para ver os próximos projetos que estão a caminho:

Referências:

World Economic Forum. (2024, February 7). Deep retrofits: How repurposing old buildings can mitigate climate change. https://www.weforum.org/stories/2024/02/deep-retrofit-buildings-carbon-emissions-climate-change/

Rosenbloom, E., Magwood, C., Clark, H., & Olgyay, V. (2023). Transforming existing buildings from climate liabilities to climate assets. Rocky Mountain Institute. https://rmi.org/insight/transforming-existing-buildings-from-climate-liabilities-to-climate-assets

Reformar um apartamento no Edifício JK é, antes de tudo, assumir um diálogo com a história, com a cidade e com uma obra emblemática da arquitetura moderna brasileira. No projeto do Apartamento GM, a Casa Zero, junto das arquitetas Luiza FrancoLuciana Castro, partiram desse entendimento para propor uma reforma transformadora e, ao mesmo tempo, sensível à estrutura original do edifício e conectada às formas contemporâneas de viver.

O projeto se insere no campo do retrofit, aquele que reconhece o valor do que já existe, potencializa suas qualidades e atualiza o espaço para responder às demandas ambientais, sociais e culturais do presente.

Integração espacial

Uma das principais decisões do projeto foi a integração dos ambientes, ampliando a percepção espacial e valorizando um dos grandes atributos do JK: a fachada envidraçada. Essa escolha permite maior entrada de luz natural, favorece a ventilação cruzada e reduz a dependência de iluminação artificial e sistemas mecânicos de climatização.

Ao abrir o apartamento para a fachada e eliminar barreiras desnecessárias, o espaço passa a dialogar de forma mais direta com a cidade, reforçando a relação entre interior, paisagem urbana e qualidade ambiental.

Estrutura aparente

No Apartamento GM, a arquitetura não esconde o edifício, mas sim o revela. A estrutura de concreto aparente é assumida como elemento central do projeto, reduzindo o uso de revestimentos e, consequentemente, o consumo de novos materiais. Essa decisão não é apenas estética: ela carrega um posicionamento ambiental claro, alinhado à reduzir uso de matéria-prima e gerar resíduos.

O mesmo cuidado se aplica à preservação do piso de madeira, um material natural, durável e conectado à biofilia, que reforça a sensação de aconchego e conforto.

Curadoria de materiais 

A escolha dos materiais segue uma lógica de equilíbrio. Seleção de técnicas produtivas mais artesanais, como o ladrilho hidráulico e o granilite, dialogam com os traços industriais do concreto e estrutura elétrica aparente, criando uma arquitetura que combina memória e contemporaneidade.

Elementos com acabamento em madeira e obras de arte equilibram o conjunto, resultando em um ambiente que não apenas tem funcionalidade, mas também acolhe. O banheiro, por exemplo, assume um caráter disruptivo, colorido e contemporâneo, mostrando que inovação e respeito ao patrimônio podem coexistir.

Funcionalidade do layout 

A área de serviço foi cuidadosamente embutida no espaço adjacente ao banheiro, mantendo a fluidez visual do apartamento e garantindo funcionalidade sem comprometer a estética. Essa solução reforça como decisões inteligentes de layout são capazes de elevar o aproveitamento do espaço ao seu máximo potencial.

Neste vídeo mostrando o antes e depois, podemos observar como esses detalhes fizeram toda a diferença:

O Edifício JK: patrimônio e infraestrutura urbana ativa

Projetado em 1950, o Edifício JK segue ensinando sobre o futuro das cidades. Sua proposta na diversidade de usos, inserção urbana e adaptação ao tempo o tornam um exemplo claro de como o patrimônio pode e deve ser parte da agenda de cidades resilientes.

O retrofit, nesse contexto, não é nostalgia ou resistência ao novo. É uma estratégia urbana que:

  • reduz resíduos da construção civil;
  • diminui emissões associadas a novas obras;
  • aproveita infraestruturas já implantadas;
  • estimula a reocupação de áreas centrais;
  • fortalece a economia urbana existente;
  • preserva o pertencimento coletivo.

Leia mais sobre o Edifício JK e a relação dele com a cidade clicando aqui.

Ao realizar esses projetos de reforma no Edifício JK, a Casa Zero reafirma esse entendimento. Mais do que reformar imóveis, essas intervenções representam a ativação do centro urbano, trazendo mais pessoas para viver a cidade e os centros urbanos. Este é o segundo projeto realizado pela Casa Zero no edifício, ambos levando projetos residenciais a um novo patamar da arquitetura sustentável. Conheça o outro projeto clicando aqui.

Veja a seguir, imagens do projeto:

Quando falamos sobre o futuro das cidades, é comum imaginarmos novas edificações, sistemas tecnológicos inovadores e soluções construtivas ainda não testadas. Mas, a partir da minha trajetória como arquiteta e urbanista, cheguei à compreensão de que: um dos caminhos mais eficientes para cidades mais resilientes frente às mudanças climáticas está justamente naquilo que já está construído.

O ambiente construído, especialmente os edifícios históricos e os centros urbanos consolidados, desempenham um papel central nas estratégias de mitigação e adaptação climática. E o Conjunto Governador Kubitschek, mais conhecido como Edifício JK, em Belo Horizonte, é um exemplo emblemático dessa reflexão.

O Edifício JK: uma cidade dentro da cidade

Projetado por Oscar Niemeyer na década de 1950, a pedido de Juscelino Kubitschek e do empresário Joaquim Rolla, o Edifício JK nasceu com uma visão extremamente avançada para sua época. Ele foi concebido como um espaço de uso misto, integrando habitação, comércio, serviços, lazer e cultura em um único conjunto arquitetônico.

São dois edifícios perpendiculares, um de 36 e outro de 24 andares, contemplando mais de mil apartamentos e uma diversidade de tipologias que refletem um ideal de convivência, coletividade e diversidade social. Um conceito que pulsa até hoje e que continua sendo uma grande demanda no modo como projetamos e vivenciamos as cidades contemporâneas.

Tive a oportunidade de participar, como arquiteta urbanista, do grupo de trabalho do processo de tombamento do edifício, concluído em 2022. Esse processo foi, acima de tudo, uma chancela de algo que a cidade e seus moradores já reconheciam: a relevância histórica, cultural, arquitetônica e urbana do conjunto.

E destaco, o tombamento não deve ser entendido como um impedimento à transformação, mas sim como uma proteção contra a distorção. Ele preserva a identidade do edifício, sua volumetria, fachadas e relação com a cidade, mas ao mesmo tempo em que permite adequações internas essenciais para segurança, funcionalidade, conforto, eficiência energética, infraestrutura e sustentabilidade.

Preservar patrimônio não é olhar para trás e, sim, agir para um futuro com responsabilidade.

Requalificação urbana e mudanças climáticas

Cidades resilientes são aquelas capazes de se adaptar, resistir e se transformar diante de mudanças sociais, econômicas e climáticas. E essa resiliência passa, necessariamente, pela forma como lidamos com os edifícios existentes.

Reformar imóveis desocupados, promover retrofits em edificações abandonadas e requalificar áreas em centros urbanos são estratégias relevantes porque:

  • reduzem deslocamentos diários;
  • fortalecem a caminhabilidade;
  • ativam o espaço público;
  • promovem diversidade social;
  • diminuem emissões de gases do efeito estufa;
  • minimizam impactos socioambientais;
  • contribuem para a minimização das ilhas de calor;
  • reforçam a segurança urbana a partir do uso contínuo dos espaços.

O Edifício JK, como exemplo, está inserido no hipercentro de Belo Horizonte, em um território já servido por infraestrutura, transporte, equipamentos culturais e serviços. Valorizá-lo e qualificá-lo é potencializar tudo aquilo que a cidade já oferece, com menos impacto ambiental.

A experiência prática da Casa Zero

Nesse contexto, a atuação da Casa Zero foi especialmente significativa. Tivemos a oportunidade de realizar duas reformas de apartamentos no Edifício JK. Experiências que reforçaram minha convicção de que essa atuação no setor construtivo é um caminho essencial para cidades mais sustentáveis.

Mais do que reformar imóveis, essas intervenções representam a ativação do centro urbano, trazendo mais pessoas para viver a cidade. Além disso, quando docente, levei dezenas de estudantes para apresentar a história do edifício JK e sua inserção no Conjunto Urbano da Praça Raul Soares. Foi uma experiência extremamente enriquecedora, permitindo que futuros arquitetos, urbanistas e engenheiros compreendam, na prática, a relação entre arquitetura, patrimônio e cidades.

Conhecer o espaço é fundamental para viver, projetar e empreender melhor.

Quando falamos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, não podemos ignorar o papel da arquitetura, do urbanismo, da construção civil, dos negócios alinhados aos pilares ESG e das instituições educacionais na formação de uma cultura mais consciente.

O futuro das cidades não começa do zero. Ele começa com decisões responsáveis sobre o que já existe. Quero demonstrar, com esse recorte urbano, que é possível unir história, inovação e sustentabilidade para construir cidades mais resilientes.

Acesse, no link, uma entrevista que participei falando exatamente sobre este tema:

As escolas são espaços onde crianças constroem percepções sobre o mundo, formam vínculos e compreendem a relação entre cuidado, comunidade e futuro. Mas existe algo ainda mais valioso quando o ambiente escolar se torna um território de transformação socioambiental por meio do contato direto com a natureza.

Foi com esse olhar que a Casa Zero participou com a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, de mais uma ação do Projeto Escola Verde, desta vez na EMEI Santa Isabel, no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte.

Essa atividade mostra, na prática, como a educação ambiental ganha sentido quando deixa de ser apenas conteúdo e passa a ser experiência real vivida pelas crianças e educadores.

A visita à EMEI Santa Isabel sob a perspectiva da Casa Zero

No dia da visita, participamos de uma manhã marcada por movimento, curiosidade e conexão genuína entre crianças, território e natureza. A Casa Zero esteve presente observando como a escola, o ambiente e a relação com o verde se transformam quando a comunidade escolar se envolve de forma ativa.

Durante a visita as ações realizadas foram:

  • Plantio de mudas nativas e frutíferas;
  • Implantação de meliponário de abelhas sem ferrão.

Para a Casa Zero, esses momentos revelam algo: uma escola deve ser um ambiente que cultiva pertencimento, sensibilidade e consciência socioambiental. Deve ser um lugar de retomada da natureza, fazendo dela linguagem pedagógica, vínculo e ferramenta de justiça climática.

O envolvimento das crianças demonstrou isso de forma clara. Ao tocar a terra, plantar, observar as abelhas e cuidar do espaço, elas não apenas aprendem: elas experienciam, criam memória, desenvolvem autonomia e constroem uma relação afetiva com o território.

Por que escolas mais verdes transformam a comunidade?

A Casa Zero reforça sua visão: um projeto como o Escola Verde gera impactos que ultrapassam o espaço escolar e reverberam por todo o território. É a educação ambiental acontecendo de forma transversal. Veja os benefícios:

1. Desenvolvimento integral das crianças

  • mais concentração, ajudando na regulação da atenção;
  • redução da ansiedade, irritabilidade e estresse;
  • fortalecimento da cooperação, comunicação e empatia;
  • estímulo à criatividade, com texturas, sons, cheiros e movimentos que enriquecem o desenvolvimento sensorial.

2. Justiça climática nos territórios

  • ganho de mais áreas sombreadas;
  • redução de temperatura nas ondas de calor;
  • mais bem-estar;
  • melhoria no microclima local.

3. Conexão com a biodiversidade

  • ensina sobre interdependência ecológica;
  • fortalece a biodiversidade urbana;
  • aproxima as crianças da vida que sustenta o território.

4. Engajamento da comunidade escolar

  • maior envolvimento das famílias;
  • o conhecimento chega às casas;
  • o território se transforma.

Por que isso importa?

Diante dos desafios socioambientais nas cidades, projetos como o Escola Verde mostram que é possível construir resiliência climática a partir da educação.

As escolas são pontos estratégicos para isso: geram conhecimento, fortalecem vínculos comunitários e podem criam impactos positivos no território.

Assista à entrevista completa em que Luiza Franco, fundadora da Casa Zero, conversa com Ana Paula Assunção, Diretora de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Para aprofundar essa discussão e conhecer mais sobre o Projeto Escola Verde, a Casa Zero conduziu uma conversa muito inspiradora.

Assista agora a entrevista completa no YouTube:

Falar de educação ambiental é falar de um processo vivo, que vem do chão da escola, das salas de aula, dos pátios e está nos corredores e nas relações cotidianas entre alunos, professores e comunidade. É ali que devem surgir os primeiros gestos sutis de cuidado com o meio ambiente, muitas vezes simples, mas profundamente transformadores. Devendo ser expandidos para além dos muros escolares, alcançando famílias, bairros e territórios inteiros.

A educação ambiental é, antes de tudo, uma prática de cidadania. Ela conecta o conhecimento com o pertencimento, e desperta nas novas gerações a consciência de que cada atitude, por menor que pareça, tem impacto sobre o planeta. Haja vista a recente atualização da Política Nacional de Educação Ambiental feita em 2024, que inclui entre seus objetivos o estudo e participação das unidades educacionais nas ações de mitigação das mudanças do clima, proteção da biodiversidade e percepção dos riscos socioambientais.

Por isso, reconhecer os educadores, professores e estudantes que protagonizam ações em prol da sustentabilidade é essencial. São eles verdadeiros agentes de transformação, que podem fazer o que se aprende em ação, o que sentem em mobilização e o que sonham em legado.

4ª Edição do Festival LED – Luz na Educação

Foi esta a minha reflexão a partir da minha experiência profissional no setor educacional e participação no Festival LED – Luz na Educação, ocorrido no dia 03 de novembro de 2025 em Belo Horizonte. A 4ª edição do festival é promovido pela Globo.com e Fundação Roberto Marinho, e teve correalização da ArcelorMittal Brasil e parceria do Sebrae.

No evento, a Casa Zero realizou uma ativação com a ferramenta de “Gestos Sutis e Sustentabilidade”, com a seguinte provocação: Como a educação ambiental atravessa a vida, o dia a dia das pessoas? A ação trouxe luz a um aspecto fundamental: formar hábitos conscientes é premissa diante da urgência climática.

Durante o festival, a Liga STEAM da ArcelorMittal, promovida pela Fundação ArcelorMittal, premiou o protagonismo de professores e alunos que fazem da escola um laboratório vivo de soluções socioambientais.

São exemplos que mostram que a sustentabilidade não é uma disciplina isolada, mas um eixo que atravessa todas as áreas do conhecimento, da matemática à biologia, da geografia à arte. Tudo pode ser espaço de reflexão e de ação para o bem coletivo.

Valorizar essas iniciativas é fortalecer o compromisso com o futuro. Quando educadores e estudantes são reconhecidos por seus projetos, as ações locais ganham força, as comunidades se engajam e a transformação se multiplica.

Na Casa Zero, acreditamos que viver, projetar e empreender com sustentabilidade começa justamente nesse campo da educação, onde ideias viram gestos, e gestos cotidianos viram cultura. A educação ambiental é, portanto, uma das chaves para um planeta mais humano e resiliente.

Reconhecimentos e prêmios que inspiram a transformação

A seguir, selecionei alguns programas que valorizam o protagonismo socioambiental nas escolas brasileiras e as próximas datas para inscrições:

Liga STEAM ArcelorMittal da Fundação ArcelorMittal — Próxima edição prevista para junho de 2026.

Premia projetos de escolas que integram ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática com soluções para desafios ambientais e sociais.

Prêmio Escolas Sustentáveis da Santillana Brasil — Próxima edição prevista para abril de 2026.

Valoriza instituições que desenvolvem práticas pedagógicas e de gestão voltadas à sustentabilidade e à transformação comunitária.

Programa Escolas pelo Clima da Reconectta — Próxima edição prevista para outubro de 2026.

Mobiliza escolas e redes de ensino na construção de planos de ação climática, reconhecendo os projetos mais engajados na mitigação e adaptação às mudanças do clima.

Referências:

Política Nacional de Educação Ambiental: https://www.gov.br/mma/pt-br/composicao/secex/dea/pnea

Lei nº 9.795/1999: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm

Lei nº 14.926/2024: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14926.htm#art2

Por trás de cada empresa ou instituição há histórias que são movidas por pessoas. São elas que constroem, se dedicam, se relacionam e são impactadas pelo negócio. Líderes, colaboradores, clientes, parceiros, fornecedores, comunidades. Todos fazem parte de uma rede que dá vida a uma organização.

Mas não basta falar em capital humano, social ou em stakeholders dentro do modelo ESG. É preciso olhar para além. Porque a cultura não se resume a uma frase bonita no site, a práticas de RH ou a planos de comunicação. Cultura é o que atravessa a vida: está nas casas, nas relações, nas ruas, no meio ambiente e no trabalho.

Foi nesse ponto que me percebi refletindo sobre a Casa Zero e como ela carrega, inevitavelmente, uma parte da minha própria trajetória.

Eu nasci na cidade, mas cresci com os pés na terra. Quando criança, acompanhei a construção do sonho dos meus pais em um terreno vazio: tijolo a tijolo, nasceu uma casinha no campo. Ali aprendi a importância de poupar, cuidar e regar. Foi também ali que tive meu primeiro contato com a natureza, com a economia do dia a dia e com a ecologia que mais tarde se tornaria parte da minha formação profissional.

E teve mais: minhas primeiras experiências com a construção — literalmente em cima de um monte de britas. Vivências  que marcaram profundamente meu olhar.

Fotografia: acervo pessoal da Luiza

Hoje, essa memória me acompanha na vida urbana. Gosto de ver a cidade da bicicleta, mas sempre trazendo comigo a conexão com a natureza. Há quase 10 anos estou à frente da Casa Zero, como fundadora e gestora. Sou arquiteta urbanista, mestre em engenharia e especialista em sustentabilidade e tecnologia.
Com essa bagagem entrego projetos e consultorias para pessoas e negócios que buscam projetar e empreender com estratégias e práticas sustentáveis.

Fotografia: Camila Rocha

Acredito que é na trajetória de fundadores, lideranças e equipes — guiada por ética, transparência, justiça e consciência socioambiental — que um negócio realmente mostra sua alma.

Veja a seguir um vídeo breve contando mais dessa boa história que faz parte da Casa Zero:

A arquitetura corporativa desempenha um papel fundamental na vida das empresas. Mais do que organizar espaços físicos, ela é uma ferramenta estratégica para criar ambientes que estimulam a eficiência, fortalecem a colaboração e promovem o bem-estar de quem trabalha ali.

No projeto desenvolvido para o Grupo Partners, adotamos esse olhar ampliado, em que a arquitetura vai além da estética ou da técnica construtiva. Partimos do princípio da biofilia, integrando elementos naturais em diferentes escalas: da ventilação cruzada à valorização da luz natural, do paisagismo integrado à escolha consciente dos acabamentos e mobiliários. Estudos mostram que essa abordagem reduz o estresse, melhora o humor e amplia a criatividade.

Para que essa transformação fosse real, unimos eficiência, estética e sustentabilidade por meio de soluções de baixo impacto e alto significado:

  • Layout flexível, capaz de se adaptar às mudanças e incentivar a colaboração.
  • Pé-direito generoso, ampliando a sensação de conforto e leveza.
  • Intervenção mínima em prumadas hidráulicas, reforçando a racionalidade técnica e a responsabilidade ambiental durante a obra.
  • Curadoria de materiais conscientes, como tintas minerais sem compostos orgânicos voláteis (COVs), que asseguram qualidade do ar e ambientes mais saudáveis.
  • Valorização de elementos originais, preservando o piso em pedra natural e reutilizando montantes metálicos e portas de madeira maciça, reduzindo a necessidade de novos recursos.

Essas escolhas não apenas qualificaram os espaços, como também reforçaram o compromisso com uma arquitetura que respeita o meio ambiente e coloca as pessoas no centro.

A presença de elementos naturais como a presença de plantas e da ventilação natural trouxe para o escritório a atmosfera biofílica que buscávamos: um lugar vivo, em que o trabalho acontece em harmonia com o natural.

Ao final, reafirmamos uma convicção: a arquitetura vai além da forma. Ela é cultura, saúde e sustentabilidade traduzidas em espaço. É estratégia que gera impacto positivo nas pessoas e nos resultados de uma organização.

Projeto e Assessoria: Casa Zero
Arquitetas: Luiza Franco e Luciana Castro
Gestão Obra: Construtora Acaiaca
Fotografias: Dentro Fotografia e Nelson Almeida

No dia 10 de dezembro, a Casa Zero marcou presença na Semana da Engenharia, promovida pela Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), em Belo Horizonte. O evento reuniu profissionais, especialistas e lideranças dos setores da engenharia, arquitetura e urbanismo para discutir os caminhos da Engenharia ESG e o papel das cidades diante da urgência climática.

A fundadora da Casa Zero, Luiza Franco, foi uma das palestrantes convidadas do painel “Na estrada da Smart City e ESG”, apresentando o tema “O Projeto Casa Zero”, uma reflexão inspiradora sobre o futuro dos negócios e das cidades em tempos de transição ambiental e social.

Fotografia: Fábio Batista

Um olhar regenerativo para o futuro da construção

Durante sua fala, Luiza destacou como como a Casa Zero se tornou atuante e referência em Construção Sustentável, unindo inovação, conforto e responsabilidade ambiental. A atuação de quase 10 anos do escritório/consultoria propõe uma nova forma de projetar o espaço construído — onde cada decisão é também, além da estratégia técnica-científica, um gesto dos clientes e lideranças que escolhem esse caminho.

A Casa Zero tem se posicionado como um caminho colaborativo de conhecimento e prática, conectando profissionais de diferentes áreas — arquitetura, engenharia, design e comunicação — para desenvolver soluções integradas que alinham estética, técnica e propósito.

Cidades inteligentes e humanas

A palestra reforçou que o urbanismo sustentável precisa integrar mobilidade limpa, eficiência energética, reaproveitamento de recursos e conexão com a natureza.

Sustentabilidade como estratégia e propósito

O debate promovido pela SME trouxe à tona questões essenciais sobre o papel das empresas e da engenharia na redução da pegada de carbono e na transição para modelos construtivos mais responsáveis.

Eventos como esse são oportunidades valiosas para ampliar o diálogo entre tecnologia, sustentabilidade e impacto social, demonstrando que engenharia e arquitetura são pilares essenciais da transição ecológica.

A biofilia — termo derivado do grego bios (vida) e philia (amor, afinidade) — refere-se à conexão intrínseca do ser humano com a natureza. Na arquitetura e no design, esse conceito se traduz em soluções que aproximam as pessoas dos elementos naturais de forma sensível e orgânica. Foi a partir dessa perspectiva que a Casa Zero conduziu a consultoria para a reforma da Escola Infantil Jardim, unidade Sion, em Belo Horizonte.

Desenvolver um projeto sustentável e eficiente vai muito além do uso de produtos importados ou de soluções que se apresentam como ecológicas, mas não cumprem essa promessa. Trata-se de pensar de maneira estratégica e responsável: buscar alternativas que conciliem conforto, funcionalidade e custo-benefício, ao mesmo tempo em que se priorizam materiais de menor impacto ambiental, como a tinta mineral de terra.

Entre as soluções propostas, destacam-se os materiais com um ciclo de vida de menor impacto e com componentes menos sintéticos e mais naturais; e um paisagismo que amplia as oportunidades de contato com o verde. Ambos favorecendo a exploração sensorial.

Em entrevista, a diretora e sócio-fundadora da instituição, Letícia Martins, compartilhou sua experiência. O primeiro contato com a Casa Zero se deu por meio de Luiza, diretora e fundadora da empresa, que foi mãe de uma aluna da escola. Ao conhecer a proposta da consultoria e compreender como a sustentabilidade poderia transformar tanto o espaço educacional quanto a qualidade de vida das crianças, Letícia optou imediatamente pela parceria.

Ela ressalta que, após a consultoria, percebeu uma economia significativa. Antes, acreditava que inserir a natureza na escola exigiria grandes áreas gramadas e extensos recursos de manutenção. A Casa Zero demonstrou, porém, que a biofilia vai muito além disso, integrando elementos como ventilação cruzada e iluminação natural, que se tornaram protagonistas no projeto.

Principais soluções adotadas:

  • Piso drenante de seixos naturais – estímulo à exploração sensorial.
  • Uso de painel vertical – reuso de telas já existentes na escola.
  • Cobogó de solo-cimento – permeabilidade visual e ambiental, contribuindo também para a ventilação.
  • Paisagismo – ampliação do acesso das crianças ao verde.
  • Tinta mineral de terra – material sustentável de alta qualidade, com tonalidade que remete à terra.
  • Materiais naturais em substituição aos sintéticos – maior estímulo à interação das crianças com os espaços.
  • Pintura lúdica – recurso pedagógico que enriquece a experiência sensorial e criativa.

A seguir algumas imagens do projeto finalizado e um vídeo que mostra mais detalhes dessa consultoria:

Fotografias: Juliana Berzoine