Falar de educação ambiental é falar de um processo vivo, que vem do chão da escola, das salas de aula, dos pátios e está nos corredores e nas relações cotidianas entre alunos, professores e comunidade. É ali que devem surgir os primeiros gestos sutis de cuidado com o meio ambiente, muitas vezes simples, mas profundamente transformadores. Devendo ser expandidos para além dos muros escolares, alcançando famílias, bairros e territórios inteiros.

A educação ambiental é, antes de tudo, uma prática de cidadania. Ela conecta o conhecimento com o pertencimento, e desperta nas novas gerações a consciência de que cada atitude, por menor que pareça, tem impacto sobre o planeta. Haja vista a recente atualização da Política Nacional de Educação Ambiental feita em 2024, que inclui entre seus objetivos o estudo e participação das unidades educacionais nas ações de mitigação das mudanças do clima, proteção da biodiversidade e percepção dos riscos socioambientais.

Por isso, reconhecer os educadores, professores e estudantes que protagonizam ações em prol da sustentabilidade é essencial. São eles verdadeiros agentes de transformação, que podem fazer o que se aprende em ação, o que sentem em mobilização e o que sonham em legado.

4ª Edição do Festival LED – Luz na Educação

Foi esta a minha reflexão a partir da minha experiência profissional no setor educacional e participação no Festival LED – Luz na Educação, ocorrido no dia 03 de novembro de 2025 em Belo Horizonte. A 4ª edição do festival é promovido pela Globo.com e Fundação Roberto Marinho, e teve correalização da ArcelorMittal Brasil e parceria do Sebrae.

No evento, a Casa Zero realizou uma ativação com a ferramenta de “Gestos Sutis e Sustentabilidade”, com a seguinte provocação: Como a educação ambiental atravessa a vida, o dia a dia das pessoas? A ação trouxe luz a um aspecto fundamental: formar hábitos conscientes é premissa diante da urgência climática.

Durante o festival, a Liga STEAM da ArcelorMittal, promovida pela Fundação ArcelorMittal, premiou o protagonismo de professores e alunos que fazem da escola um laboratório vivo de soluções socioambientais.

São exemplos que mostram que a sustentabilidade não é uma disciplina isolada, mas um eixo que atravessa todas as áreas do conhecimento, da matemática à biologia, da geografia à arte. Tudo pode ser espaço de reflexão e de ação para o bem coletivo.

Valorizar essas iniciativas é fortalecer o compromisso com o futuro. Quando educadores e estudantes são reconhecidos por seus projetos, as ações locais ganham força, as comunidades se engajam e a transformação se multiplica.

Na Casa Zero, acreditamos que viver, projetar e empreender com sustentabilidade começa justamente nesse campo da educação, onde ideias viram gestos, e gestos cotidianos viram cultura. A educação ambiental é, portanto, uma das chaves para um planeta mais humano e resiliente.

Reconhecimentos e prêmios que inspiram a transformação

A seguir, selecionei alguns programas que valorizam o protagonismo socioambiental nas escolas brasileiras e as próximas datas para inscrições:

• Liga STEAM ArcelorMittal da Fundação ArcelorMittal — Próxima edição prevista para junho de 2026.

Premia projetos de escolas que integram ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática com soluções para desafios ambientais e sociais.

• Prêmio Escolas Sustentáveis da Santillana Brasil — Próxima edição prevista para abril de 2026.

Valoriza instituições que desenvolvem práticas pedagógicas e de gestão voltadas à sustentabilidade e à transformação comunitária.

• Programa Escolas pelo Clima da Reconectta — Próxima edição prevista para outubro de 2026.

Mobiliza escolas e redes de ensino na construção de planos de ação climática, reconhecendo os projetos mais engajados na mitigação e adaptação às mudanças do clima.

Referências:

Política Nacional de Educação Ambiental: https://www.gov.br/mma/pt-br/composicao/secex/dea/pnea

Lei nº 9.795/1999: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm

Lei nº 14.926/2024: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14926.htm#art2

Por trás de cada empresa ou instituição há histórias que são movidas por pessoas. São elas que constroem, se dedicam, se relacionam e são impactadas pelo negócio. Líderes, colaboradores, clientes, parceiros, fornecedores, comunidades. Todos fazem parte de uma rede que dá vida a uma organização.

Mas não basta falar em capital humano, social ou em stakeholders dentro do modelo ESG. É preciso olhar para além. Porque a cultura não se resume a uma frase bonita no site, a práticas de RH ou a planos de comunicação. Cultura é o que atravessa a vida: está nas casas, nas relações, nas ruas, no meio ambiente e no trabalho.

Foi nesse ponto que me percebi refletindo sobre a Casa Zero e como ela carrega, inevitavelmente, uma parte da minha própria trajetória.

Eu nasci na cidade, mas cresci com os pés na terra. Quando criança, acompanhei a construção do sonho dos meus pais em um terreno vazio: tijolo a tijolo, nasceu uma casinha no campo. Ali aprendi a importância de poupar, cuidar e regar. Foi também ali que tive meu primeiro contato com a natureza, com a economia do dia a dia e com a ecologia que mais tarde se tornaria parte da minha formação profissional.

E teve mais: minhas primeiras experiências com a construção — literalmente em cima de um monte de britas. Vivências  que marcaram profundamente meu olhar.

Fotografia: acervo pessoal da Luiza

Hoje, essa memória me acompanha na vida urbana. Gosto de ver a cidade da bicicleta, mas sempre trazendo comigo a conexão com a natureza. Há quase 10 anos estou à frente da Casa Zero, como fundadora e gestora. Sou arquiteta urbanista, mestre em engenharia e especialista em sustentabilidade e tecnologia.
Com essa bagagem entrego projetos e consultorias para pessoas e negócios que buscam projetar e empreender com estratégias e práticas sustentáveis.

Fotografia: Camila Rocha

Acredito que é na trajetória de fundadores, lideranças e equipes — guiada por ética, transparência, justiça e consciência socioambiental — que um negócio realmente mostra sua alma.

Veja a seguir um vídeo breve contando mais dessa boa história que faz parte da Casa Zero:

A arquitetura corporativa desempenha um papel fundamental na vida das empresas. Mais do que organizar espaços físicos, ela é uma ferramenta estratégica para criar ambientes que estimulam a eficiência, fortalecem a colaboração e promovem o bem-estar de quem trabalha ali.

No projeto desenvolvido para o Grupo Partners, adotamos esse olhar ampliado, em que a arquitetura vai além da estética ou da técnica construtiva. Partimos do princípio da biofilia, integrando elementos naturais em diferentes escalas: da ventilação cruzada à valorização da luz natural, do paisagismo integrado à escolha consciente dos acabamentos e mobiliários. Estudos mostram que essa abordagem reduz o estresse, melhora o humor e amplia a criatividade.

Para que essa transformação fosse real, unimos eficiência, estética e sustentabilidade por meio de soluções de baixo impacto e alto significado:

  • Layout flexível, capaz de se adaptar às mudanças e incentivar a colaboração.
  • Pé-direito generoso, ampliando a sensação de conforto e leveza.
  • Intervenção mínima em prumadas hidráulicas, reforçando a racionalidade técnica e a responsabilidade ambiental durante a obra.
  • Curadoria de materiais conscientes, como tintas minerais sem compostos orgânicos voláteis (COVs), que asseguram qualidade do ar e ambientes mais saudáveis.
  • Valorização de elementos originais, preservando o piso em pedra natural e reutilizando montantes metálicos e portas de madeira maciça, reduzindo a necessidade de novos recursos.

Essas escolhas não apenas qualificaram os espaços, como também reforçaram o compromisso com uma arquitetura que respeita o meio ambiente e coloca as pessoas no centro.

A presença de elementos naturais como a presença de plantas e da ventilação natural trouxe para o escritório a atmosfera biofílica que buscávamos: um lugar vivo, em que o trabalho acontece em harmonia com o natural.

Ao final, reafirmamos uma convicção: a arquitetura vai além da forma. Ela é cultura, saúde e sustentabilidade traduzidas em espaço. É estratégia que gera impacto positivo nas pessoas e nos resultados de uma organização.

Projeto e Assessoria: Casa Zero
Arquitetas: Luiza Franco e Luciana Castro
Gestão Obra: Construtora Acaiaca
Fotografias: Dentro Fotografia e Nelson Almeida

No dia 10 de dezembro, a Casa Zero marcou presença na Semana da Engenharia, promovida pela Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), em Belo Horizonte. O evento reuniu profissionais, especialistas e lideranças dos setores da engenharia, arquitetura e urbanismo para discutir os caminhos da Engenharia ESG e o papel das cidades diante da urgência climática.

A fundadora da Casa Zero, Luiza Franco, foi uma das palestrantes convidadas do painel “Na estrada da Smart City e ESG”, apresentando o tema “O Projeto Casa Zero”, uma reflexão inspiradora sobre o futuro dos negócios e das cidades em tempos de transição ambiental e social.

Fotografia: Fábio Batista

Um olhar regenerativo para o futuro da construção

Durante sua fala, Luiza destacou como como a Casa Zero se tornou atuante e referência em Construção Sustentável, unindo inovação, conforto e responsabilidade ambiental. A atuação de quase 10 anos do escritório/consultoria propõe uma nova forma de projetar o espaço construído — onde cada decisão é também, além da estratégia técnica-científica, um gesto dos clientes e lideranças que escolhem esse caminho.

A Casa Zero tem se posicionado como um caminho colaborativo de conhecimento e prática, conectando profissionais de diferentes áreas — arquitetura, engenharia, design e comunicação — para desenvolver soluções integradas que alinham estética, técnica e propósito.

Cidades inteligentes e humanas

A palestra reforçou que o urbanismo sustentável precisa integrar mobilidade limpa, eficiência energética, reaproveitamento de recursos e conexão com a natureza.

Sustentabilidade como estratégia e propósito

O debate promovido pela SME trouxe à tona questões essenciais sobre o papel das empresas e da engenharia na redução da pegada de carbono e na transição para modelos construtivos mais responsáveis.

Eventos como esse são oportunidades valiosas para ampliar o diálogo entre tecnologia, sustentabilidade e impacto social, demonstrando que engenharia e arquitetura são pilares essenciais da transição ecológica.

A biofilia — termo derivado do grego bios (vida) e philia (amor, afinidade) — refere-se à conexão intrínseca do ser humano com a natureza. Na arquitetura e no design, esse conceito se traduz em soluções que aproximam as pessoas dos elementos naturais de forma sensível e orgânica. Foi a partir dessa perspectiva que a Casa Zero conduziu a consultoria para a reforma da Escola Infantil Jardim, unidade Sion, em Belo Horizonte.

Desenvolver um projeto sustentável e eficiente vai muito além do uso de produtos importados ou de soluções que se apresentam como ecológicas, mas não cumprem essa promessa. Trata-se de pensar de maneira estratégica e responsável: buscar alternativas que conciliem conforto, funcionalidade e custo-benefício, ao mesmo tempo em que se priorizam materiais de menor impacto ambiental, como a tinta mineral de terra.

Entre as soluções propostas, destacam-se os materiais com um ciclo de vida de menor impacto e com componentes menos sintéticos e mais naturais; e um paisagismo que amplia as oportunidades de contato com o verde. Ambos favorecendo a exploração sensorial.

Em entrevista, a diretora e sócio-fundadora da instituição, Letícia Martins, compartilhou sua experiência. O primeiro contato com a Casa Zero se deu por meio de Luiza, diretora e fundadora da empresa, que foi mãe de uma aluna da escola. Ao conhecer a proposta da consultoria e compreender como a sustentabilidade poderia transformar tanto o espaço educacional quanto a qualidade de vida das crianças, Letícia optou imediatamente pela parceria.

Ela ressalta que, após a consultoria, percebeu uma economia significativa. Antes, acreditava que inserir a natureza na escola exigiria grandes áreas gramadas e extensos recursos de manutenção. A Casa Zero demonstrou, porém, que a biofilia vai muito além disso, integrando elementos como ventilação cruzada e iluminação natural, que se tornaram protagonistas no projeto.

Principais soluções adotadas:

  • Piso drenante de seixos naturais – estímulo à exploração sensorial.
  • Uso de painel vertical – reuso de telas já existentes na escola.
  • Cobogó de solo-cimento – permeabilidade visual e ambiental, contribuindo também para a ventilação.
  • Paisagismo – ampliação do acesso das crianças ao verde.
  • Tinta mineral de terra – material sustentável de alta qualidade, com tonalidade que remete à terra.
  • Materiais naturais em substituição aos sintéticos – maior estímulo à interação das crianças com os espaços.
  • Pintura lúdica – recurso pedagógico que enriquece a experiência sensorial e criativa.

A seguir algumas imagens do projeto finalizado e um vídeo que mostra mais detalhes dessa consultoria:

Fotografias: Juliana Berzoine

No dia 21 de junho de 2022, o Espaço Cultural da UEMG, na Praça da Liberdade, recebeu um encontro inspirador que reuniu profissionais de diferentes áreas para refletir sobre os novos rumos da sustentabilidade: o debate “Design e Economia Circular”. Mediado por Andreia Salvan e Cláudia Campos, o evento contou com as presenças de Luiza Franco, fundadora da Casa Zero; Marcella Mafra (Fundadora) e Dani Queiroga, do Libertese; e Dane Luz e Luísa Luz, fundadoras do Estúdio Veste.

O diálogo abordou temas que vão além das práticas sustentáveis convencionais, propondo uma reflexão sobre o capitalismo de stakeholders, as transformações nos modelos de produção e consumo e a urgência de integrar propósito, regeneração e responsabilidade social às estratégias de negócio. Dados alarmantes sobre o uso excessivo dos recursos naturais e o desequilíbrio ecológico — como os divulgados pelo Bank of America, que alerta que 99% de tudo o que é produzido se torna lixo em seis meses — reforçaram a necessidade de um reposicionamento global em direção à economia circular, baseada nos princípios de reduzir, reutilizar, reciclar e regenerar.

Nesse contexto, a Casa Zero contou sua abordagem sistêmica e prática em relação à economia circular e ao design regenerativo. A Casa Zero tem como essência projetar ambientes que não apenas reduzam impactos, mas também promovam saúde, bem-estar e reconexão com a natureza. A empresa integra em seus projetos o conceito de “casa saudável”, no qual os espaços são planejados para oferecer qualidade do ar, iluminação natural equilibrada, uso de materiais não tóxicos, reaproveitamento de recursos e incentivo a um estilo de vida mais consciente e conectado ao ambiente.

Para a arquiteta Luiza Franco, fundadora da Casa Zero, “repensar o modo como produzimos e consumimos é também repensar a forma como habitamos o mundo”. Seus projetos e consultorias funcionam como ferramentas de educação ambiental, mostrando que a arquitetura pode — e deve — ser um agente de regeneração, estimulando novos hábitos e um olhar mais empático para o planeta.

O evento reforçou que design, economia e ecologia estão intrinsecamente ligados. A economia circular, quando aplicada ao campo criativo, propõe um ciclo contínuo de vida para os materiais, reduzindo o desperdício e promovendo o uso consciente dos recursos. Essa visão vai ao encontro da missão da Casa Zero: transformar o cotidiano das pessoas a partir de escolhas mais humanas, saudáveis e sustentáveis.

O Apartamento Cristina, antes da reforma, apresentava desproporção nas áreas destinadas ao social e ao serviço. Um “quarto de emprega”, cômodo comum em casas brasileiras remetendo ao modelo escravocrata de segregação entre moradores e funcionários, possuía medidas inadequadas ao uso, além de não haver ventilação e iluminação diretas.

Dentro deste contexto, foi proposta:

· Integração dos ambientes dando novo uso para o “quarto de empregada”

· Transformação do antigo e pequeno banheiro de serviço em um lavabo

· Decoração moderna com divisória e estante modular de serralheria e madeira.

A partir desta proposta o apartamento reformado trouxe um maior aproveitamento ao conectar os ambientes. Houve um aumento da iluminação natural e a possibilidade de ventilação cruzada, garantindo mais conforto térmico e lumínico no espaço. A sala integrada à cozinha foi possível a partir da demolição de parte da parede existente e, para a redução da geração de resíduos e custos na obra, o apoio da bancada gourmet se deu em meia parede mantida.

O novo lavabo traz consigo uma releitura para ser um ambiente mais democrático. A bancada com novo lavatório e uma porta maior e pivotante fez dele um ambiente de uso para qualquer frequentador do lar, seja morador, visita ou funcionário. Além disso, a presença de um banheiro mais acessível nessa área da casa torna a parte social do apartamento mais independente. 

Em relação aos acabamentos, foram escolhidos vernizes e tintas com baixa emissão de componentes tóxicos, os chamados VOC’s – Compostos Orgânicos Voláteis. Como a intenção era reduzir resíduos no processo de demolição e garantir eficiência no orçamento, no lavabo foi instalado, piso sobre piso, um porcelanato adquirido da sobra de outra obra feita pela Casa Zero. 

Mantendo a proposta de adotar estratégias mais econômicas e sustentáveis, não foi feita a troca de revestimentos da cozinha e da lavanderia ou mesmo do piso da área social. A proposta foi buscar cerâmica e porcelanato compatíveis em “cemitérios de azulejos”  e complementar como um quebra-cabeça as partes após demolição. Uma divisória leve e translúcida entre a lavanderia e a sala garantiu a entrada de luz natural ao mesmo tempo em que proporciona, quando necessária, a separação destes ambientes. 

A reforma precisou do reforço estrutural solucionado com a instalação de perfis metálicos.Estes elementos foram incorporados à proposta estética da decoração, trazendo um ar moderno ao apartamento. Não houveram mudanças na hidráulica e, na marcenaria, foi adotada a revitalização com pintura e novos puxadores.

O Apartamento Cristina traz consigo a perspectiva de que é possível reformar garantindo  qualidade, bem-estar e economia para os moradores, ao mesmo tempo em que adota medidas mais generosas com o meio ambiente.

Fotografias: Juliana Berzoine

Ficou curioso para saber mais sobre o Apartamento Cristina? Assista no nosso canal no YouTube a série Apartamento Cristina onde mostramos cada detalhe!

Esta foi a reforma de um apartamento no famoso Conjunto JK localizado em Belo Horizonte (MG). O edifício, ícone da Arquitetura Moderna com projeto de 1952 do arquiteto Oscar Niemeyer, vai ganhar maior destaque com o processo de tombamento aberto em 2021 para torná-lo Patrimônio Cultural da cidade.

 O Apartamento JK, situado no 7º andar de uma das torres do edifício, ganhou a valorização necessária neste contexto histórico arquitetônico ao qual se insere. No projeto foi proposta a integração da cozinha com a sala e o acréscimo de outro banheiro. Além, é claro, da renovação completa dos sistemas elétricos e hidráulicos existentes há mais de 50 anos. O novo arranjo passou a valorizar ainda mais a vista da fachada toda envidraçada para habitar um casal que adora receber visitas.

 Os 70 m2 foram ainda mais potencializados com a adoção de estratégias visando a otimização e a sustentabilidade na concepção, construção e pós-ocupação. Destacam-se alguns elementos:

· Layout planejado associado à contribuição da entrada de iluminação e ventilação naturais, além de otimizar os fluxos de passagem pelos ambientes.

· Pé-direito alto com aproveitamento máximo da altura final a partir da retirada de forros/lajes não estruturais antes existentes.

· Estrutura de concreto toda aparente valorizando a história arquitetônica do edifício e ainda trazendo a economia na compra de novos materiais de acabamento e dando facilidade em manutenções futuras.

· Sistema de iluminação planejado garantindo qualidade e distribuição com eficiência energética do tipo LED.

· Elétrica renovada e aparente dando facilidade e economia em manutenções futuras e redução na geração de resíduos em obra.

· Hidráulica renovada com sistemas economizadores do consumo de água.

· Versatilidade de uso dos banheiros permitindo ser parte da suíte com banheiro duplo espelhado ou um banho para a suíte e um banheiro social individualizado.

· Bancada móvel da cozinha com rodízio dando versatilidade na composição dos ambientes com a amplitude ou integração de acordo com a conveniência.

· Área de serviço e equipamentos planejados para facilitar a operação no dia a dia, incluindo porta de correr para separação de ambientes sociais da área de lavanderia.

· Estudo do dimensionamento e paginação dos revestimentos para minimização da geração de resíduos.

· Recuperação de piso existente em madeira Peroba Rosa trazendo o conceito da restauração atrelado à redução de custo com materiais na obra.

Fotografia: Juliana Berzoine

Como parte de seu compromisso com práticas mais sustentáveis e alinhadas à sua identidade institucional, a Casa Sagarana contou com uma consultoria especializada em sustentabilidade para desenvolver uma abordagem integrada de comunicação visual e gestão ambiental. O principal produto desta consultoria foi o Guia de Comunicação dos Gestos de Sustentabilidade, um instrumento técnico de apoio à sinalização, ambientação e gestão dos espaços físicos da Casa, com foco na coerência entre discurso, prática e experiência do público.

Objetivo do Guia: comunicar com clareza e fortalecer o posicionamento institucional

O Guia de Comunicação foi desenvolvido com o objetivo de sistematizar a forma como os compromissos socioambientais da Casa Sagarana são representados em seus espaços físicos. A proposta foi garantir que esses compromissos sejam percebidos de maneira clara, estratégica e integrada à cultura organizacional, por meio de elementos de sinalização visual, simbologias e textos orientativos.

O material foi construído a partir de assessoria presencial especializada, que envolveu diagnóstico situacional, levantamento de boas práticas já implementadas, escuta ativa da equipe gestora e análise das oportunidades de aprimoramento da comunicação nos ambientes.

O trabalho foi estruturado em torno de três eixos principais: Gestão e Uso do Espaço. Dentro desses eixos, foram identificadas categorias temáticas fundamentais para fortalecer a coerência do espaço físico com os princípios da sustentabilidade e com a missão institucional. Cada categoria foi detalhada com orientações práticas para definição de estratégias para refletir as ações existentes ou as serem incorporadas.

Categorias desenvolvidas no Guia:

  • Energia Renovável

Diretrizes para valorizar visualmente o uso de fontes limpas e renováveis, reforçando o posicionamento da Casa quanto à transição energética.

  • Economia de Energia

Estratégias de sinalização e comunicação que promovem o uso racional da energia elétrica, com foco na eficiência e no comportamento do usuário.

  • Gestão de Resíduos

Identificação de pontos de descarte, comunicação sobre separação de resíduos e incentivo à compostagem, com clareza visual e acessibilidade.

  • Qualidade do Ar

Indicações sobre elementos naturais e sua representação como parte da promoção da saúde ambiental.

  • Conectividade e Mobilidade

Propostas para sinalização de espaços destinados a bicicletas, áreas de circulação de pedestres e incentivo à mobilidade sustentável.

  • Integração com a Natureza

Orientações sobre como valorizar áreas verdes, espécies nativas e a relação do edifício com o entorno natural, tanto na linguagem visual quanto na ambientação.

  • Comunicação Acessível

Criação de uma linguagem visual inclusiva, com simbologias universais, sinalização legível e integração com práticas de acessibilidade.

O Guia de Comunicação dos Gestos de Sustentabilidade possibilitou à Casa Sagarana:

  • Fortalecer sua identidade institucional sustentável,
  • Harmonizar suas práticas internas com uma comunicação visual estratégica,
  • Oferecer uma experiência mais educativa, coerente e acessível ao público,
  • Implementar um modelo replicável de gestão e sinalização validado por uma terceira parte, a Casa Zero.

Fotografias: Juliana Berzoini

No dia 14 de abril, a Casa Zero, a convite da professora Renata Bacelar Teixeira, participou de uma conversa inspiradora com mais de 60 profissionais da Pós-graduação da Ânima Educação. O encontro teve como foco a abordagem integrada da Casa Zero para as especificações sustentáveis em diferentes áreas da arquitetura e do design: Processos Criativos e Inovação, Retrofit e Patologia nas Construções e Interiores, Tendências e Tecnologia.

Mais do que apresentar metodologias, o momento foi um convite à reflexão sobre como a sustentabilidade pode ser incorporada como essência de projeto, e não apenas como uma etapa técnica ou estética.

Processos Criativos e Inovação:

Os processos criativos são pautados pela busca de soluções regenerativas e conscientes, onde o “gesto sutil” se torna uma ferramenta de transformação. Essa abordagem incentiva a experimentação com propósito, unindo o olhar artesanal à pesquisa tecnológica. A inovação, portanto, não é vista como ruptura, mas como continuidade com o que é essencial — a harmonia entre o humano e o ambiente construído.

Retrofit e Patologia nas Construções:

O segundo pilar abordado foi o retrofit, uma prática que ganha cada vez mais relevância em tempos de urgência climática. Tratar patologias construtivas, nesse contexto, é também compreender o edifício como um organismo vivo — que precisa ser cuidado, diagnosticado e regenerado. Assim, o retrofit se torna um ato de responsabilidade ambiental e cultural, conectando passado e futuro em uma mesma narrativa arquitetônica.

Interiores, Tendências e Tecnologia:

Ao falar de interiores, a Casa Zero propõe um olhar que ultrapassa tendências passageiras. O foco está na criação de ambientes saudáveis, confortáveis e emocionalmente equilibrados, que dialogam com o conceito de Casa Saudável.

A tecnologia, nesse contexto, aparece como aliada da percepção humana: sistemas de automação que otimizam recursos, simulações computacionais de conforto térmico e lumínico, e o uso de materiais de baixo impacto e alta durabilidade.

Mais do que acompanhar tendências, o desafio é reinterpretá-las de forma consciente, priorizando o bem-estar e o ciclo de vida dos materiais e produtos escolhidos.

Um olhar integrado e sistêmico

A participação da Casa Zero na Pós-graduação da Ânima Educação reforça a importância da formação de profissionais que compreendam a sustentabilidade como um eixo transversal — que une criatividade, técnica e propósito.

A conversa reafirmou que o futuro do setor não está apenas em novas tecnologias, mas na reconexão com os valores humanos e ecológicos que guiam cada projeto.