Reforma: Apartamento GM no Edifício JK
Reformar um apartamento no Edifício JK é, antes de tudo, assumir um diálogo com a história, com a cidade e com uma obra emblemática da arquitetura moderna brasileira. No projeto do Apartamento GM, a Casa Zero, junto das arquitetas Luiza Franco e Luciana Castro, partiram desse entendimento para propor uma reforma transformadora e, ao mesmo tempo, sensível à estrutura original do edifício e conectada às formas contemporâneas de viver.
O projeto se insere no campo do retrofit, aquele que reconhece o valor do que já existe, potencializa suas qualidades e atualiza o espaço para responder às demandas ambientais, sociais e culturais do presente.
Integração espacial
Uma das principais decisões do projeto foi a integração dos ambientes, ampliando a percepção espacial e valorizando um dos grandes atributos do JK: a fachada envidraçada. Essa escolha permite maior entrada de luz natural, favorece a ventilação cruzada e reduz a dependência de iluminação artificial e sistemas mecânicos de climatização.
Ao abrir o apartamento para a fachada e eliminar barreiras desnecessárias, o espaço passa a dialogar de forma mais direta com a cidade, reforçando a relação entre interior, paisagem urbana e qualidade ambiental.
Estrutura aparente
No Apartamento GM, a arquitetura não esconde o edifício, mas sim o revela. A estrutura de concreto aparente é assumida como elemento central do projeto, reduzindo o uso de revestimentos e, consequentemente, o consumo de novos materiais. Essa decisão não é apenas estética: ela carrega um posicionamento ambiental claro, alinhado à reduzir uso de matéria-prima e gerar resíduos.
O mesmo cuidado se aplica à preservação do piso de madeira, um material natural, durável e conectado à biofilia, que reforça a sensação de aconchego e conforto.
Curadoria de materiais
A escolha dos materiais segue uma lógica de equilíbrio. Seleção de técnicas produtivas mais artesanais, como o ladrilho hidráulico e o granilite, dialogam com os traços industriais do concreto e estrutura elétrica aparente, criando uma arquitetura que combina memória e contemporaneidade.
Elementos com acabamento em madeira e obras de arte equilibram o conjunto, resultando em um ambiente que não apenas tem funcionalidade, mas também acolhe. O banheiro, por exemplo, assume um caráter disruptivo, colorido e contemporâneo, mostrando que inovação e respeito ao patrimônio podem coexistir.
Funcionalidade do layout
A área de serviço foi cuidadosamente embutida no espaço adjacente ao banheiro, mantendo a fluidez visual do apartamento e garantindo funcionalidade sem comprometer a estética. Essa solução reforça como decisões inteligentes de layout são capazes de elevar o aproveitamento do espaço ao seu máximo potencial.
Neste vídeo mostrando o antes e depois, podemos observar como esses detalhes fizeram toda a diferença:
O Edifício JK: patrimônio e infraestrutura urbana ativa
Projetado em 1950, o Edifício JK segue ensinando sobre o futuro das cidades. Sua proposta na diversidade de usos, inserção urbana e adaptação ao tempo o tornam um exemplo claro de como o patrimônio pode e deve ser parte da agenda de cidades resilientes.
O retrofit, nesse contexto, não é nostalgia ou resistência ao novo. É uma estratégia urbana que:
- reduz resíduos da construção civil;
- diminui emissões associadas a novas obras;
- aproveita infraestruturas já implantadas;
- estimula a reocupação de áreas centrais;
- fortalece a economia urbana existente;
- preserva o pertencimento coletivo.
Leia mais sobre o Edifício JK e a relação dele com a cidade clicando aqui.
Ao realizar esses projetos de reforma no Edifício JK, a Casa Zero reafirma esse entendimento. Mais do que reformar imóveis, essas intervenções representam a ativação do centro urbano, trazendo mais pessoas para viver a cidade e os centros urbanos. Este é o segundo projeto realizado pela Casa Zero no edifício, ambos levando projetos residenciais a um novo patamar da arquitetura sustentável. Conheça o outro projeto clicando aqui.
Veja a seguir, imagens do projeto:























