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Na Casa Zero, acreditamos que a sustentabilidade não se constrói apenas por meio de grandes projetos, tecnologias ou políticas públicas. Ela nasce das escolhas cotidianas, dos hábitos e das ações que, quando compartilhadas, têm o potencial de gerar transformações coletivas.

Essa visão faz parte da nossa cultura. Entendemos que as mudanças acontecem do individual para o coletivo e do local para o global. Toda transformação começa em algum lugar e, muitas vezes, esse lugar é o nosso próprio cotidiano.

Foi com esse propósito que surgiu a série Gestos Sutis de Sustentabilidade, idealizada por Luiza Franco, Diretora da Casa Zero. Por meio de fotografias e vídeos, a série registra experiências cotidianas e revela como hábitos e atitudes individuais podem contribuir para a preservação do meio ambiente. A proposta é aproximar a sustentabilidade da vida real, mostrando que ela se constrói também nos pequenos gestos do dia a dia com impacto socioambiental.

Na mesma linha de inspiração surgiu o Baralho Gestos Sutis de Sustentabilidade, uma ferramenta criada para estimular conversas, palestras e experiências em torno de práticas sustentáveis. Entre os desafios propostos com a ferramenta estão ações individuais e significativas, como utilizar uma ecobag para reduzir o consumo de sacolas plásticas descartáveis, separar corretamente os resíduos, destinando os orgânicos para a compostagem ou fazer o reuso de um material de forma a contribuir com a economiacircular.

Ao longo dos episódios, a série apresenta exemplos reais de como esses gestos podem ser incorporados à rotina, mostrando que sustentabilidade não precisa ser algo distante ou complexo. Pelo contrário, ela começa em em escolhas do indivíduo que, somadas, ajudam a construir uma cultura de cuidado com as pessoas, com as cidades e com o planeta.

A série Gestos Sutis de Sustentabilidade é um convite para enxergar o potencial transformador presente nos pequenos gestos.

Quer conhecer esses gestos na prática?

Acesse a seguir a playlist Gestos Sutis de Sustentabilidade no canal da Casa Zero no YouTube e descubra como pequenas atitudes podem gerar grandes impactos positivos:

 

Ao longo dos últimos 10 anos, a Casa Zero construiu sua trajetória conectando conhecimento, experiências e ações voltadas para a sustentabilidade. Nesse caminho, participamos de encontros, fóruns, pesquisas, projetos, formações e debates que abordam alguns dos temas mais relevantes para o presente e para o futuro das nossas cidades, organizações e comunidades.

Foi a partir dessa vivência que nasceu a série Do Discurso ao Gesto de Sustentabilidade.

A proposta da série é trazer reflexões sobre temas que permanecem atuais e fundamentais para a construção de uma sociedade consciente e resiliente para os desafios contemporâneos.

Ao longo dos episódios, abordamos assuntos que transitam por diferentes áreas do conhecimento, como consumo consciente, economia circular, gestão de resíduos, ESG, cidades resilientes, arquitetura, urbanismo e construção civil. Temas que representam debates de longo prazo e que continuarão influenciando a forma como vivemos, produzimos e nos relacionamos com o planeta.

A série busca, além de apresentar debates relevantes, estimula a uma reflexão essencial: como transformar conhecimento em ação?

Afinal, a sustentabilidade não se constrói apenas por meio de discursos, metas ou estratégias institucionais. Ela depende das escolhas cotidianas, das decisões profissionais, das políticas públicas, dos modelos de negócio e da forma como planejamos nossos territórios e cidades.

Por que essas conversas continuam tão importantes?

Vivemos em um período denominado pela ciência de Antropoceno, uma era marcada pela influência significativa das atividades humanas sobre os ecossistemas e os processos naturais do planeta.

As mudanças climáticas, a perda de biodiversidade, a pressão sobre os recursos naturais e o aumento das desigualdades sociais evidenciam a necessidade de repensarmos nossos modelos de desenvolvimento e nossas formas de ocupação do território.

Nesse contexto, manter essas discussões vivas é fundamental.

São temas que atravessam gerações e que exigem diálogo e construção coletiva de conhecimento. Acompanhar esses debates da Casa Zero é entender as tendências e fortalecer uma cultura de responsabilidade socioambiental.

Do discurso à prática

O próprio nome da série reflete uma convicção que acompanha a trajetória da Casa Zero: mudanças significativas acontecem quando o conhecimento se transforma em prática.

Por isso, cada episódio procura conectar conceitos, experiências e exemplos concretos, mostrando que a sustentabilidade pode estar presente tanto em grandes estratégias organizacionais quanto em decisões aparentemente simples do dia a dia.

Ao celebrar os 10 anos da Casa Zero, revisitamos essas reflexões com a certeza de que elas permanecem relevantes e necessárias. 

Assista à série completa

Quer aprofundar essa conversa?

Para assistir esse conteúdo, acesse a Playlist Do Discurso ao Gesto de Sustentabilidade presente no nosso canal do YouTube e acompanhe conteúdos que conectam sustentabilidade, arquitetura, cidades, ESG, economia circular e transformação social:

Reformar um apartamento no Edifício JK é, antes de tudo, assumir um diálogo com a história, com a cidade e com uma obra emblemática da arquitetura moderna brasileira. No projeto do Apartamento GM, a Casa Zero, junto das arquitetas Luiza Franco e  Luciana Castro, partiram desse entendimento para propor uma reforma transformadora e, ao mesmo tempo, sensível à estrutura original do edifício e conectada às formas contemporâneas de viver.

O projeto se insere no campo do retrofit, aquele que reconhece o valor do que já existe, potencializa suas qualidades e atualiza o espaço para responder às demandas ambientais, sociais e culturais do presente.

Integração espacial

Uma das principais decisões do projeto foi a integração dos ambientes, ampliando a percepção espacial e valorizando um dos grandes atributos do JK: a fachada envidraçada. Essa escolha permite maior entrada de luz natural, favorece a ventilação cruzada e reduz a dependência de iluminação artificial e sistemas mecânicos de climatização.

Ao abrir o apartamento para a fachada e eliminar barreiras desnecessárias, o espaço passa a dialogar de forma mais direta com a cidade, reforçando a relação entre interior, paisagem urbana e qualidade ambiental.

Estrutura aparente

No Apartamento GM, a arquitetura não esconde o edifício, mas sim o revela. A estrutura de concreto aparente é assumida como elemento central do projeto, reduzindo o uso de revestimentos e, consequentemente, o consumo de novos materiais. Essa decisão não é apenas estética: ela carrega um posicionamento ambiental claro, alinhado à reduzir uso de matéria-prima e gerar resíduos.

O mesmo cuidado se aplica à preservação do piso de madeira, um material natural, durável e conectado à biofilia, que reforça a sensação de aconchego e conforto.

Curadoria de materiais 

A escolha dos materiais segue uma lógica de equilíbrio. Seleção de técnicas produtivas mais artesanais, como o ladrilho hidráulico e o granilite, dialogam com os traços industriais do concreto e estrutura elétrica aparente, criando uma arquitetura que combina memória e contemporaneidade.

Elementos com acabamento em madeira e obras de arte equilibram o conjunto, resultando em um ambiente que não apenas tem funcionalidade, mas também acolhe. O banheiro, por exemplo, assume um caráter disruptivo, colorido e contemporâneo, mostrando que inovação e respeito ao patrimônio podem coexistir.

Funcionalidade do layout 

A área de serviço foi cuidadosamente embutida no espaço adjacente ao banheiro, mantendo a fluidez visual do apartamento e garantindo funcionalidade sem comprometer a estética. Essa solução reforça como decisões inteligentes de layout são capazes de elevar o aproveitamento do espaço ao seu máximo potencial.

Neste vídeo mostrando o antes e depois, podemos observar como esses detalhes fizeram toda a diferença:

O Edifício JK: patrimônio e infraestrutura urbana ativa

Projetado em 1950, o Edifício JK segue ensinando sobre o futuro das cidades. Sua proposta na diversidade de usos, inserção urbana e adaptação ao tempo o tornam um exemplo claro de como o patrimônio pode e deve ser parte da agenda de cidades resilientes.

O retrofit, nesse contexto, não é nostalgia ou resistência ao novo. É uma estratégia urbana que:

  • reduz resíduos da construção civil;
  • diminui emissões associadas a novas obras;
  • aproveita infraestruturas já implantadas;
  • estimula a reocupação de áreas centrais;
  • fortalece a economia urbana existente;
  • preserva o pertencimento coletivo.

Leia mais sobre o Edifício JK e a relação dele com a cidade clicando aqui.

Ao realizar esses projetos de reforma no Edifício JK, a Casa Zero reafirma esse entendimento. Mais do que reformar imóveis, essas intervenções representam a ativação do centro urbano, trazendo mais pessoas para viver a cidade e os centros urbanos. Este é o segundo projeto realizado pela Casa Zero no edifício, ambos levando projetos residenciais a um novo patamar da arquitetura sustentável. Conheça o outro projeto clicando aqui.

Veja a seguir, imagens do projeto:

Quando falamos sobre o futuro das cidades, é comum imaginarmos novas edificações, sistemas tecnológicos inovadores e soluções construtivas ainda não testadas. Mas, a partir da minha trajetória como arquiteta e urbanista, cheguei à compreensão de que: um dos caminhos mais eficientes para cidades mais resilientes frente às mudanças climáticas está justamente naquilo que já está construído.

O ambiente construído, especialmente os edifícios históricos e os centros urbanos consolidados, desempenham um papel central nas estratégias de mitigação e adaptação climática. E o Conjunto Governador Kubitschek, mais conhecido como Edifício JK, em Belo Horizonte, é um exemplo emblemático dessa reflexão.

O Edifício JK: uma cidade dentro da cidade

Projetado por Oscar Niemeyer na década de 1950, a pedido de Juscelino Kubitschek e do empresário Joaquim Rolla, o Edifício JK nasceu com uma visão extremamente avançada para sua época. Ele foi concebido como um espaço de uso misto, integrando habitação, comércio, serviços, lazer e cultura em um único conjunto arquitetônico.

São dois edifícios perpendiculares, um de 36 e outro de 24 andares, contemplando mais de mil apartamentos e uma diversidade de tipologias que refletem um ideal de convivência, coletividade e diversidade social. Um conceito que pulsa até hoje e que continua sendo uma grande demanda no modo como projetamos e vivenciamos as cidades contemporâneas.

Tive a oportunidade de participar, como arquiteta urbanista, do grupo de trabalho do processo de tombamento do edifício, concluído em 2022. Esse processo foi, acima de tudo, uma chancela de algo que a cidade e seus moradores já reconheciam: a relevância histórica, cultural, arquitetônica e urbana do conjunto.

E destaco, o tombamento não deve ser entendido como um impedimento à transformação, mas sim como uma proteção contra a distorção. Ele preserva a identidade do edifício, sua volumetria, fachadas e relação com a cidade, mas ao mesmo tempo em que permite adequações internas essenciais para segurança, funcionalidade, conforto, eficiência energética, infraestrutura e sustentabilidade.

Preservar patrimônio não é olhar para trás e, sim, agir para um futuro com responsabilidade.

Requalificação urbana e mudanças climáticas

Cidades resilientes são aquelas capazes de se adaptar, resistir e se transformar diante de mudanças sociais, econômicas e climáticas. E essa resiliência passa, necessariamente, pela forma como lidamos com os edifícios existentes.

Reformar imóveis desocupados, promover retrofits em edificações abandonadas e requalificar áreas em centros urbanos são estratégias relevantes porque:

  • reduzem deslocamentos diários;
  • fortalecem a caminhabilidade;
  • ativam o espaço público;
  • promovem diversidade social;
  • diminuem emissões de gases do efeito estufa;
  • minimizam impactos socioambientais;
  • contribuem para a minimização das ilhas de calor;
  • reforçam a segurança urbana a partir do uso contínuo dos espaços.

O Edifício JK, como exemplo, está inserido no hipercentro de Belo Horizonte, em um território já servido por infraestrutura, transporte, equipamentos culturais e serviços. Valorizá-lo e qualificá-lo é potencializar tudo aquilo que a cidade já oferece, com menos impacto ambiental.

A experiência prática da Casa Zero

Nesse contexto, a atuação da Casa Zero foi especialmente significativa. Tivemos a oportunidade de realizar duas reformas de apartamentos no Edifício JK. Experiências que reforçaram minha convicção de que essa atuação no setor construtivo é um caminho essencial para cidades mais sustentáveis.

Mais do que reformar imóveis, essas intervenções representam a ativação do centro urbano, trazendo mais pessoas para viver a cidade. Além disso, quando docente, levei dezenas de estudantes para apresentar a história do edifício JK e sua inserção no Conjunto Urbano da Praça Raul Soares. Foi uma experiência extremamente enriquecedora, permitindo que futuros arquitetos, urbanistas e engenheiros compreendam, na prática, a relação entre arquitetura, patrimônio e cidades.

Conhecer o espaço é fundamental para viver, projetar e empreender melhor.

Quando falamos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, não podemos ignorar o papel da arquitetura, do urbanismo, da construção civil, dos negócios alinhados aos pilares ESG e das instituições educacionais na formação de uma cultura mais consciente.

O futuro das cidades não começa do zero. Ele começa com decisões responsáveis sobre o que já existe. Quero demonstrar, com esse recorte urbano, que é possível unir história, inovação e sustentabilidade para construir cidades mais resilientes.

Acesse, no link, uma entrevista que participei falando exatamente sobre este tema: