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Acupuntura urbana e os gestos sutis que transformam cidades

Quando perguntamos o que falta nas cidades brasileiras, as respostas quase sempre se repetem:
segurança,
acessibilidade,
mobilidade,
gestão de resíduos,
arborização, etc..

E nada disso é detalhe urbano. Isso é infraestrutura básica.

Segurança

  • Sentir-se seguro nas ruas não depende apenas de policiamento. Depende de fachadas ativas, pessoas circulando e espaço público ocupado. Cidade viva é cidade mais segura.

Acessibilidade

  • Calçadas acessíveis garantem autonomia. Sem elas, a cidade exclui. A mobilidade começa no caminhar seguro para crianças, idosos e pessoas com deficiência.

Mobilidade

  • Ampliar e incentivar transportes coletivos de baixa emissão, implantar ciclovias conectadas à malha urbana e articular modais de transporte são caminhos para uma mobilidade mais eficiente e saudável, reduzindo a dependência do carro, como transporte individual. Afinal, ciclovias dão segurança a um transporte legítimo e contribuem para uma cidade menos poluída.

Gestão de resíduos

  • Precisamos de ecopontos bem distribuídos, que organizem o descarte, fortaleçam a reciclagem e valorizem as associações de catadores. Não precisamos de lixeiras pequenas espalhadas por toda parte.

Arborização

  • Árvores não são apenas para compor a paisagem. Elas reduzem o calor urbano, absorvem água da chuva evitando enchentes, melhoram a qualidade do ar e impactam diretamente a saúde urbana.

Se seguimos apenas a lógica do atendimento pelos órgãos competentes, geralmente imaginamos essas demandas resolvidas por grandes projetos urbanos.
Mas a transformação das cidades nem sempre precisa começar assim. Ela também pode nascer de articulações locais.

Da Acupuntura Urbana.

Pequenas intervenções, grandes transformações.

Acredito que as cidades são organismos vivos.
Elas podem adoecer, mas também se regenerar.
Por isso, não vejo a transformação urbana apenas como resultado de grandes planos ou obras monumentais. Ela também acontece como um processo contínuo, feito de gestos sutis de sustentabilidade, com intervenções estratégicas no território.

É exatamente nesse ponto que a Acupuntura Urbana se torna tão potente. Inspirada na medicina tradicional chinesa, onde pequenas agulhas são aplicadas em pontos específicos do corpo para restaurar equilíbrio, a Acupuntura Urbana propõe intervenções pontuais e bem posicionadas, capazes de gerar impactos positivos locais, regionais e até sistêmicos na cidade.

São ações geralmente rápidas, de baixo custo e alto valor social, capazes de ativar vida urbana, estimular pertencimento e transformar a relação das pessoas com o território.

Como a acupuntura urbana pode acontecer na prática

  • criação de espaços de convivência
  • requalificação de áreas vazias ou degradadas
  • inserção de mobiliário urbano acolhedor
  • ativação do comércio local
  • melhorias na mobilidade e na acessibilidade

Mas a transformação urbana também pode começar com gestos cotidianos:

  • mutirões de plantio
  • ativação comunitária de praças e parques
  • caminhar mais pela cidade
  • participar de grupos de corrida ou bicicleta
  • solicitar à prefeitura o plantio de árvores ou a manutenção de equipamentos urbanos

Quanto mais cuidamos, ocupamos e conhecemos a cidade, mais ela se transforma no lugar que queremos viver.

Uma ferramenta para enfrentar desafios urbanos

A Acupuntura Urbana é uma medida concreta para enfrentar desafios contemporâneos, como:

  • desigualdade socioambiental
  • ilhas de calor
  • falta de áreas verdes
  • mobilidade precária
  • ausência de espaços de encontro

São esses gestos sutis que ajudam a construir cidades mais resilientes e saudáveis.
Essa abordagem também dialoga diretamente com a forma como atuamos na Casa Zero:
traduzindo conhecimento técnico em experiências reais, aproximando a sustentabilidade do cotidiano e colocando as pessoas no centro do projeto urbano, arquitetônico e das experiências na cidade.

Porque cidades melhores não nascem apenas do plano diretor municipal. Elas se constroem quando os espaços são apropriados pelo coletivo, a partir da colaboração entre comunidade, governo, empresas e organizações da sociedade civil.

Cidades mais sustentáveis nascem quando combinamos políticas públicas, mercado e participação cidadã com a valorização do que já existe, a ativação de vazios em centros urbanos, a inserção de natureza nos bairros e a criação de espaços para serem vividos onde as pessoas queiram estar.

“As intervenções se dão mais por necessidade que por desejo, para recuperar feridas que o próprio homem produziu na natureza.”
— Jaime Lerner

Como dizia Jaime Lerner, arquiteto e urbanista que cunhou o termo, essas intervenções surgem muito mais da necessidade de curar feridas urbanas do que de um desejo estético. Em sua trajetória como prefeito de Curitiba e governador do Paraná, ele mostrou que pequenas decisões bem posicionadas podem gerar grandes transformações sociais, ambientais e econômicas.

E talvez seja exatamente isso que as cidades mais precisam hoje:
menos monumentalidade e mais inteligência urbana aplicada no lugar certo.

Ficou interessado em ver mais sobre esse olhar da Casa Zero pela cidade? Veja a baixo alguns exemplos da Acupuntura Urbana no Brasil e no mundo.

Exemplos da Acupuntura Urbana no Brasil e no mundo

Cura – Circuito Urbano de Arte — Belo Horizonte, Brasil

Um movimento de arte urbana atuando como ferramenta de regeneração social. Grandes murais em fachadas antes esquecidas ativam visualmente regiões da cidade, fortalecendo identidade local, senso de pertencimento e novas dinâmicas culturais. Um gesto estético que reverbera socialmente.

Zona 30 — Belo Horizonte, Brasil

A redução da velocidade dos veículos em áreas específicas da cidade cria ruas mais seguras, caminháveis e convidativas. A Zona 30 é um exemplo de como ajustes simples na mobilidade impactam diretamente a qualidade de vida, estimulam o uso do espaço público e fortalecem o comércio de bairro.

Parque Minhocão (Parque Elevado João Goulart) — São Paulo, Brasil

Uma antiga via expressa ganhou novo significado ao ser ocupada por pedestres, atividades culturais e lazer. O Minhocão mostra como infraestruturas duras podem se transformar em espaços de convivência quando o projeto urbano passa a priorizar pessoas e não apenas carros.

High Line Park — Nova York, EUA

Uma antiga linha férrea elevada e abandonada foi transformada em um parque linear de 2,33 km para pedestres em Manhattan. A intervenção ressignificou uma infraestrutura obsoleta, criando um passadiço verde elevado que prioriza o caminhar, ativa o espaço público e reconecta pessoas à cidade.

Agricultura Urbana LEIA – Belo Horizonte, Brasil

A partir de hortas urbanas construídas no terraço de um edifício universitário no centro da cidade, o Projeto de Extensão LEIA – Laboratório Ecossistêmico Interdisciplinar de Aprendizagem proporcionou a educadores e alunos a oportunidade de participar de ações de mitigação dos impactos sociais e ambientais urbanos fora da sala de aula, relacionando essas práticas diretamente com a comunidade externa. A iniciativa, coordenada por mim quando professora no Centro Universitário UNA junto a outras professoras, ainda se estendeu para a cidade, articulando academia, poder público e sociedade civil em torno da implementação de uma horta comunitária sob gestão coletiva no bairro Vila Estrela, estimulando a ocupação de espaços ociosos, o desenvolvimento de produtos, tecnologias e métodos alternativos de construção, a gestão de resíduos e fortalecendo o valor da soberania alimentar.
(clique na imagem e descubra mais sobre esse projeto fantástico que a Casa Zero fez parte)

As cidades são feitas de decisões cotidianas, e quando começamos a olhar com mais atenção para as ruas, percebemos que sempre existe algo que pode melhorar.

Mas a pergunta continua aberta: o que falta na sua cidade?

Essa reflexão não precisa acontecer apenas aqui no artigo.
Em uma série de conversas da Casa Zero, nós também levamos essa pergunta para nossos seguidores e debatemos diferentes olhares sobre o espaço urbano, os desafios das cidades e os gestos que podem transformá-las.

Acesse a playlist Casa Zero e a Cidade logo abaixo e acompanhe essas reflexões conosco.
Talvez, ao ouvir outras perspectivas, você também descubra qual pode ser a sua própria “agulha” para ajudar a transformar a cidade onde vive.

Propósito

Fundadora da startup @casazero, @luizafranco é formada em Arquitetura e Urbanismo ‪há 10‬ anos com atuações profissionais sempre ligadas ao meio ambiente e à sustentabilidade. Durante a sua vida acadêmica como professora na graduação e pós- graduação, Luiza percebeu que, além das imposições de novos modelos de mercado, uma cultura sustentável e de transformação social ocorre através de atitudes inspiradoras. Foi assim que descobriu que o seu propósito profissional já estava projetado nas suas ações pessoais, no que ela considera ser os seus gestos sutis de sustentabilidade.

Gestos Sutis de Sustentabilidade

A Casa Zero é um ponto de partida promissor para quem acredita na força dos gestos de sustentabilidade no ambiente construído. Acreditamos que projetar e construir é possível com economia e rentabilidade financeira sem faltar a aplicação de gestos ambientais e sociais. Apostar na arquitetura e construção com esta sensibilidade
é um caminho sem volta, direcionado para o desenvolvimento sustentável. Nosso papel é inspirar cada vez mais pessoas e negócios com #gestossutisdesustentabilidade e assessorar quem quer projetar ou construir.


Consultoria em Arquitetura e Construção Sustentável

Como Articuladora de Sustentabilidade, @luizafranco presta consultoria, ministra palestras e realiza projetos para pessoas e negócios. Pela Casa Zero ainda assessora escritórios de arquitetura e construtoras para alcance de eficiência, conforto e qualidade ambiental no ambiente construído. Seja projeto ou construção a consultoria tem por propósito a disseminação de uma arquitetura mais sustentável.

A partir de atividades no terraço de um dos campi universitários, o Projeto de Extensão LEIA – Laboratório Ecossistêmico Interdisciplinar de Aprendizagem da a oportunidade de educadores e alunos participarem de ações de mitigação aos impactos sociais e ambientais urbanos fora da sala de aula e relacionar, diretamente, com a comunidade externa. O projeto estimula a produção de hortas urbanas com o desenvolvimento de produtos, tecnologias e métodos alternativos de construção e gestão de resíduos, além de carregar o valor à soberania alimentar.

Em entrevista à Globo, para o programa Terra de Minas, alguns participantes relataram pontos de alto valor social e ambiental: alimentar-se bem, estar em contato com a natureza, ter alimentos frescos, se apropriar de algum lugar, gastar menos, gerar renda, dar vida a um lugar, promover a socialização e a inclusão.

Ainda houve a realização de um concurso, aonde muitas foram as possibilidades em destaque nos projetos de hortas urbanas ganhadores. Promovido pelo Projeto LEIA na arquitetura coordenado pela professora Luiza Franco, também sócia da Casa Zero, dentro do Centro Universitário UNA para toda a comunidade, foi uma oportunidade de colocar a mão na massa e desenvolver protótipos que poderiam depois ser reproduzidos. Estimulando toda a sociedade a também se conectar a causa.

Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Em evento gratuito, aberto ao público, divulgado aqui e ocorrido no terraço do campus UNA João Pinheiro em 29 de novembro de 2016, sociedade e comunidade acadêmica tiveram a oportunidade de avaliar mais de 20 projetos pilotos de hortas urbanas construídos pelos alunos da arquitetura com o apoio interdisciplinar da instituição e votar naquele que mais se destacou.

Os projetos dos três primeiros lugares, incluindo cartilha explicativa sobre a concepção do projeto, os métodos construtivos, a forma de uso e manutenção, além de dicas de cultivo, você pode conferir a seguir:

1º lugar: Horta Portal

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Cartilha Horta Portal

2º lugar: Horta Bambulê

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Cartilha Horta Bambulê

3º lugar: Canteiro no Cantinho

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Cartilha Canteiro no Cantinho

Mais notícias da mídia sobre a repercussão do evento você confere nos links a seguir:

Vídeo You Tube – Extensão UNA

Notícia – Jornal Contramão

Cobertura – BH Eventos

 

Para mais informações, dicas, consultoria e projeto entre em contato conosco.

Luiza Franco, sócia da Casa Zero, foi convidada para dar entrevista ao Jornal Contramão do Centro Universitário UNA. O bate papo ocorrido no dia 11 de novembro de 2016 em prol do Dia Mundial do Urbanismo, comemorado em 08 de novembro, trouxe para discussão assuntos relevantes sobre mobilidade urbana e os seus impactos na sociedade. Os destaques ficaram para assuntos como preservação de áreas verdes, apropriação dos espaços públicos e movimentos populares.

Confira a entrevista completa aqui

A entrevista também se encontra no Portal Uai.

No dia 29 de novembro de 2016, terça-feira, acontece um evento interativo no grande terraço do prédio do Centro Universitário UNA localizado nas proximidades da Praça da Liberdade. Dois projetos de extensão dessa universidade, dos cursos de Arquitetura e Gastronomia, se fundiram para transformar o espaço em um Laboratório Ecossistêmico Interdisciplinar de Aprendizagem, também chamado de projeto LEIA.

Na coordenação da Arquitetura, a professora Luiza Franco, também sócia da Casa Zero, orientou os alunos na elaboração de mais de 20 projetos pilotos de hortas urbanas ao longo do 2o semestre de 2016. Cada projeto construído tem uma proposta arquitetônica diferente, porém atendendo às diretrizes da qualidade urbana e do conforto ambiental: baixo custo, reuso de materiais que seriam descartados, versatilidade, desmontabilidade, possibilidade de expansão e transformação de espaços urbanos ociosos, além da atenção às condições climáticas (sol, vento e chuva), conforme espécies vegetais a serem cultivadas.

Na vertente da Gastronomia, coordenada pela professora Rosilene Campolina, os alunos irão preparar receitas inovadoras com produtos gerados nas hortas e inspirados na sustentabilidade. Os pratos que comporão o cardápio serão comercializados no mesmo evento, na 2a edição do GastroUna.

No evento do LEIA ainda poderão ser apreciadas produções e compartilhamento de conhecimento da Ciências Biológicas – compostagem e plantio; da Nutrição – espécies vegetais alimentícias amigas e antagônicas; da Moda – fabricação de produtos com resíduos têxteis. Tudo isso embalado por muita música boa.

Conforme Luiza Franco, as hortas urbanas permitem um ciclo de cultivo de alimentos sem agrotóxicos, frescos por não ficarem nas prateleiras dos supermercados perdendo seus nutrientes e ainda oferecem a possibilidade da prática da compostagem para a renovação da produção.

A professora Luiza Franco explica ainda que o LEIA na Arquitetura, promove o desenvolvimento de tecnologias construtivas aplicáveis ao meio urbano, possibilitando o acesso da sociedade a métodos alternativos de construção e gestão de resíduos. O LEIA está associado à Iniciação Científica – coordenada pela professora Ediméia   Mello,   do   Programa de Pós Graduação em Gestão Social, Educação   e Desenvolvimento Local – com o propósito de se tornar um núcleo de pesquisa para qualificar a comunidade na autogestão de espaços ociosos a partir da criação de hortas urbanas, que mitigam os impactos urbanos e promove a soberania alimentar.

Anote na agenda e vamos lá!

Dia: 29/11, terça-feira
Horário: 14h às 21h
Local: Centro Universitário UNA – Campus João Pinheiro II, terraço
Endereço: Av. João Pinheiro, 580 – Funcionários
Evento Gratuito

O sócio da Casa Zero, Roberto Chafith, foi palestrante no evento Profissão em Ação da Faculdade Pitágoras, ocorrido em outubro de 2016, para os cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharias. Nesse evento ocorre a troca de experiências entre alunos e profissionais do mercado, e o desenvolvimento de oficinas para aprimorar o conhecimento.

A temática apresentada por Roberto envolveu o passo a passo de uma reforma com detalhes sobre demolição, segurança estrutural, projetos arquitetônico e complementares. Para apresentar a temática associada à experiência da empresa, foi mostrada como estudo de caso a reforma de uma apartamento feito pela Casa Zero no Conjunto JK do arquiteto Oscar Niemeyer – edifício ícone da arquitetura moderna da cidade de Belo Horizonte – .