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No dia 25 de agosto, a Casa Zero participou de uma conversa inspiradora com o Studio Becus, mediada pelo arquiteto Flávio Negrão, arquiteto e urbanista, fundador do Studio Becus, sobre o tema “O que precisa ser reinventado na sustentabilidade?”. A live promoveu uma reflexão sobre o papel da arquitetura e do design em um momento de grandes transformações — tanto ambientais quanto sociais.

Durante o encontro, Luiza Franco, arquiteta e fundadora da Casa Zero, compartilhou sua trajetória e experiências, destacando o projeto Casa Moeda, finalista do Prêmio Saint-Gobain de Arquitetura Sustentável, em que ficou entre os 10 finalistas na categoria Profissional. O projeto é um exemplo de como a sustentabilidade pode ser aplicada de forma técnica, utilizando taipa de pilão como principal sistema construtivo — um método ancestral que alia conforto térmico, baixo impacto ambiental e estética natural.

Mesmo sendo a única fundadora da Casa Zero, Luiza ressaltou a importância da rede colaborativa e multidisciplinar que a Casa Zero possui, reunindo profissionais de diferentes áreas que contribuem para soluções integradas.

Um dos pontos centrais da conversa foi o impacto da pandemia na forma de projetar e habitar. Para Luiza, o lar passou a ser reconhecido novamente como espaço de acolhimento e saúde, e a arquitetura precisa refletir essa nova consciência. “A casa se tornou um abrigo físico e emocional. Hoje, projetar é pensar em bem-estar, qualidade do ar, iluminação natural e materiais saudáveis”, destacou.

Ela também ressaltou que sintomas como alergias e desconfortos podem estar ligados à escolha inadequada de materiais e que é essencial compreender a composição de tudo o que usamos em nossas construções.

A conversa trouxe ainda discussões sobre a mudança de comportamento no pós-pandemia, como a busca por casas em regiões mais afastadas dos centros urbanos, o interesse crescente por espaços abertos e ventilados, e a valorização de hábitos mais saudáveis — como o uso da bicicleta e o contato com a natureza. “Esses movimentos mostram uma transformação profunda na relação entre pessoas, cidade e moradia”, comentou Luiza.

Outro destaque foi o debate sobre incentivos à sustentabilidade, como o Crédito Verde (antigo IPTU Verde), que oferece benefícios fiscais para edificações que adotam práticas sustentáveis. Iniciativas como essa reforçam que sustentabilidade é também uma questão de política urbana e consciência coletiva.

No encerramento, Luiza apresentou o Baralho de Gestos Sutis de Sustentabilidade, ferramenta educacional criada pela Casa Zero que traduz atitudes do cotidiano em ações de impacto real — como reutilizar materiais de obra em nova função e design, reduzir o desperdício e repensar hábitos de consumo. “Cada gesto importa”, reforçou Luiza, lembrando que pequenas atitudes são capazes de gerar grandes transformações.

Quando questionada sobre o que ainda precisa ser reinventado na sustentabilidade, Luiza foi direta: “Precisamos olhar para o ciclo de vida das coisas. Criar senso crítico em relação ao consumo e sair dos falsos rótulos verdes. Sustentabilidade não é um produto — é uma postura”.

A live reafirmou que a arquitetura e o design têm o poder de regenerar e inspirar novos modos de vida. Reinventar a sustentabilidade é, acima de tudo, reaprender a construir com propósito, consciência e cuidado.

Ficou curioso para ver um pouco mais sobre os temas debatidos?

Acesse o link a baixo:

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O debate sobre as mudanças climáticas se tornou urgente e essa foi a abordagem do webinar da @pactoglobalbr realizado em 21 de maio de 2020. Nele, especialistas destacaram um dado alarmante: até o final do século, a humanidade só pode emitir 770 gigatoneladas de CO₂ equivalente (Gt CO₂e) se quiser ter 50% de chance de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C até 2100. Esse número representa o limite do que ainda podemos lançar na atmosfera sem ultrapassar o ponto de não retorno do clima.

Mas o que realmente significa esse “limite”?

Podemos pensar no planeta como um copinho de vidro: cada emissão de gás do efeito estufa é uma gota dentro dele. Estamos, lentamente, enchendo esse copo — e, se ele transbordar, os impactos serão irreversíveis.

Entendendo os gases do efeito estufa e os combustíveis fósseis:

Os gases do efeito estufa (GEEs) — como o dióxido de carbono (CO₂), o metano (CH₄) e o óxido nitroso (N₂O) — formam uma espécie de cobertor invisível ao redor da Terra, que retém o calor do Sol e mantém o planeta habitável.
O problema é que, ao queimar combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), colocamos camadas extras nesse cobertor, tornando-o cada vez mais espesso e aquecendo o planeta além do equilíbrio natural.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os combustíveis fósseis são responsáveis por cerca de 90% das emissões globais de gases do efeito estufa.

Por sorte, florestas e oceanos ainda absorvem aproximadamente um quarto dessas emissões, funcionando como os “pulmões” e o “coração” do planeta. Porém, mesmo esses ecossistemas têm limites de regeneração.

COVID-19: o experimento involuntário do planeta

A pandemia da COVID-19 foi, de certa forma, um “experimento involuntário” sobre o impacto das atividades humanas no clima.

Com a desaceleração global, a União Europeia registrou uma redução de 8% nas emissões por queima de combustíveis fósseis. O portal Carbon Brief estimou uma queda global de 6%, e a revista Nature Climate Change chegou a 7% em 2020.

É como se o planeta tivesse, por um breve momento, respirado aliviado.
As cidades ficaram silenciosas, o ar mais limpo, e céus antes encobertos por poluição se tornaram visíveis novamente. No entanto, essa “pausa ambiental” mostrou mais do que alívio: ela evidenciou como nossa rotina é intensamente conectada à emissão de carbono.

Podemos comparar a economia global a uma máquina em funcionamento constante — o vírus apertou o botão de “pausa”, e de repente, vimos o que acontece quando ela desacelera. O curioso é que, mesmo com uma paralisação sem precedentes, a queda nas emissões não foi suficiente para reverter o aquecimento global. Isso revela o tamanho do desafio que temos pela frente: não basta frear momentaneamente; é preciso mudar o combustível da máquina.

Os maiores emissores de gases do efeito estufa são China, Estados Unidos, Rússia, Índia e Brasil.

Os setores que mais contribuem para essas emissões são:

  • Produção de energia,
  • Indústrias,
  • Transporte terrestre,
  • Edificações e
  • Aviação.

No caso do Brasil, há uma diferença marcante: aqui, o peso maior está no uso da terra e na agropecuária, que representam cerca de 70% das emissões nacionais.

Ou seja, desmatamento, queimadas e a criação intensiva de gado são nossas maiores fontes de desequilíbrio climático.

O que aprendemos com tudo isso?

A pandemia nos ensinou que é possível transformar hábitos em escala global quando existe urgência.

Durante o isolamento, vimos menos carros nas ruas, mais trabalho remoto e uma redescoberta do valor dos espaços naturais.

Essas mudanças mostraram caminhos possíveis: mobilidade sustentável, eficiência energética e preservação ambiental não são utopias, são escolhas concretas.

Por outro lado, também aprendemos que as soluções precisam ser estruturais e permanentes, não apenas reações temporárias a crises.

Assim como uma febre é o sintoma de algo mais profundo, o aquecimento global é o sintoma de um sistema que precisa ser repensado — na forma como produzimos, consumimos e nos relacionamos com o planeta.

Referências:

O que são as mudanças climáticas? | As Nações Unidas no Brasil

Mudanças Climáticas e Meio Ambiente | UNICEF Brasil

Você sabe como os gases de efeito estufa aquecem o planeta?

Combustíveis fósseis são maiores responsáveis pelo efeito estufa — Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima