O debate sobre as mudanças climáticas se tornou urgente e essa foi a abordagem do webinar da @pactoglobalbr realizado em 21 de maio de 2020. Nele, especialistas destacaram um dado alarmante: até o final do século, a humanidade só pode emitir 770 gigatoneladas de CO₂ equivalente (Gt CO₂e) se quiser ter 50% de chance de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C até 2100. Esse número representa o limite do que ainda podemos lançar na atmosfera sem ultrapassar o ponto de não retorno do clima.
Mas o que realmente significa esse “limite”?
Podemos pensar no planeta como um copinho de vidro: cada emissão de gás do efeito estufa é uma gota dentro dele. Estamos, lentamente, enchendo esse copo — e, se ele transbordar, os impactos serão irreversíveis.
Entendendo os gases do efeito estufa e os combustíveis fósseis:
Os gases do efeito estufa (GEEs) — como o dióxido de carbono (CO₂), o metano (CH₄) e o óxido nitroso (N₂O) — formam uma espécie de cobertor invisível ao redor da Terra, que retém o calor do Sol e mantém o planeta habitável.
O problema é que, ao queimar combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), colocamos camadas extras nesse cobertor, tornando-o cada vez mais espesso e aquecendo o planeta além do equilíbrio natural.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os combustíveis fósseis são responsáveis por cerca de 90% das emissões globais de gases do efeito estufa.
Por sorte, florestas e oceanos ainda absorvem aproximadamente um quarto dessas emissões, funcionando como os “pulmões” e o “coração” do planeta. Porém, mesmo esses ecossistemas têm limites de regeneração.
COVID-19: o experimento involuntário do planeta
A pandemia da COVID-19 foi, de certa forma, um “experimento involuntário” sobre o impacto das atividades humanas no clima.
Com a desaceleração global, a União Europeia registrou uma redução de 8% nas emissões por queima de combustíveis fósseis. O portal Carbon Brief estimou uma queda global de 6%, e a revista Nature Climate Change chegou a 7% em 2020.
É como se o planeta tivesse, por um breve momento, respirado aliviado.
As cidades ficaram silenciosas, o ar mais limpo, e céus antes encobertos por poluição se tornaram visíveis novamente. No entanto, essa “pausa ambiental” mostrou mais do que alívio: ela evidenciou como nossa rotina é intensamente conectada à emissão de carbono.
Podemos comparar a economia global a uma máquina em funcionamento constante — o vírus apertou o botão de “pausa”, e de repente, vimos o que acontece quando ela desacelera. O curioso é que, mesmo com uma paralisação sem precedentes, a queda nas emissões não foi suficiente para reverter o aquecimento global. Isso revela o tamanho do desafio que temos pela frente: não basta frear momentaneamente; é preciso mudar o combustível da máquina.
Os maiores emissores de gases do efeito estufa são China, Estados Unidos, Rússia, Índia e Brasil.
Os setores que mais contribuem para essas emissões são:
- Produção de energia,
- Indústrias,
- Transporte terrestre,
- Edificações e
- Aviação.
No caso do Brasil, há uma diferença marcante: aqui, o peso maior está no uso da terra e na agropecuária, que representam cerca de 70% das emissões nacionais.
Ou seja, desmatamento, queimadas e a criação intensiva de gado são nossas maiores fontes de desequilíbrio climático.
O que aprendemos com tudo isso?
A pandemia nos ensinou que é possível transformar hábitos em escala global quando existe urgência.
Durante o isolamento, vimos menos carros nas ruas, mais trabalho remoto e uma redescoberta do valor dos espaços naturais.
Essas mudanças mostraram caminhos possíveis: mobilidade sustentável, eficiência energética e preservação ambiental não são utopias, são escolhas concretas.
Por outro lado, também aprendemos que as soluções precisam ser estruturais e permanentes, não apenas reações temporárias a crises.
Assim como uma febre é o sintoma de algo mais profundo, o aquecimento global é o sintoma de um sistema que precisa ser repensado — na forma como produzimos, consumimos e nos relacionamos com o planeta.
Referências:
O que são as mudanças climáticas? | As Nações Unidas no Brasil
Mudanças Climáticas e Meio Ambiente | UNICEF Brasil








