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Vivemos um momento em que falar de sustentabilidade já não basta. A crise climática, a perda de biodiversidade, o aumento das desigualdades sociais e a fragilidade das relações entre sociedade e natureza revelam que estamos diante de algo mais profundo: uma crise de modelo civilizatório. E, diante dela, uma pergunta se torna inevitável: como educar para um mundo em transformação?

É nesse contexto que ganha força o conceito de Ecologia Integral, uma abordagem que propõe olhar o mundo de forma sistêmica, reconhecendo que questões ambientais, sociais, econômicas e culturais estão profundamente interligadas.

Não existe crise ambiental separada da crise social. E, portanto, também não existe educação transformadora que ignore essa relação. A escola, nesse cenário, deixa de ser apenas um espaço de transmissão de conhecimento e dever ser o local para viver e se relacionar de forma consciente com o planeta, nossa casa comum.

Essa reflexão é justamente o ponto de partida do capítulo “Desdobramentos da Ecologia Integral na gestão educacional: o que muda no nosso jeito de ser escola”, escrito por Luiza Carvalho Franco — Arquitetura Urbanista, mestre em Engenharia e especialista em Sustentabilidade e Tecnologia e Fundadora da Casa Zero — e Aleluia Heringer Lisboa — Doutora em Educação, consultora e palestrante — na coletânea Gestão da Educação Básica: ações e reflexões produzida pela ANEC – Associação Nacional de Educação Católica do Brasil. No texto, as autoras exploram um desafio central da educação contemporânea: como transformar a Ecologia Integral de um conceito teórico em prática cotidiana dentro das escolas.

Quando sustentabilidade deixa de ser discurso

Nas últimas décadas, a sustentabilidade se tornou um tema muito frequente em projetos pedagógicos, eventos escolares e documentos institucionais, mas as autoras apontam um ponto sensível: muitas vezes, esse debate permanece restrito ao campo do discurso.

A verdadeira transformação acontece quando os princípios da Ecologia Integral passam a orientar o funcionamento da escola como um todo  influenciando decisões pedagógicas, práticas administrativas, relações comunitárias e até mesmo a forma como os espaços são concebidos e utilizados.

Isso significa compreender que sustentabilidade não é apenas um conteúdo de aula, e sim uma cultura institucional.

Uma escola comprometida com esse olhar começa a integrar temas socioambientais no currículo, incentiva práticas colaborativas, estimula o pensamento crítico e se conecta ativamente com o território onde está inserida.

A escola como lugar de transformação

Quando assume esse papel, a escola deixa de ser apenas um espaço de aprendizagem formal.

Ela se torna um território de experimentação de futuros possíveis.

Estudantes podem vivenciar novas formas de relação com a natureza, com a cidade e com a comunidade. Podendo acontecer de muitas maneiras:

  • Não utilizar plástico de uso único nas atividades pedagógicas.
  • Praticar e ampliar a coleta seletiva dos resíduos.
  • Adotar critérios socioambientais na composição da lista de materiais.
  • Abrir cortinas e janelas como forma de evitar o uso de iluminação artificial.
  • Dispensar o uso da água com vazão contínua para lavar passeios, pátios e corredores.
  • Incluir, na didática pedagógica, o contato com cursos d’água e nascentes.
  • Realizar atividades de campo com vivência na natureza.
  • Criar um pomar ou uma minifloresta.

Essas iniciativas transformam o aprendizado em experiência concreta.
Mais do que ensinar sobre meio ambiente, elas permitem vivenciar a sustentabilidade no cotidiano.

Mutirão de educação ambiental junto à Escola Barão Vermelho em Belo Horizonte. Plantio de 344 mudas de árvores compondo a minifloresta Calafate. Para saber mais: clique aqui! 

O espaço escolar também educa

Um dos pontos mais interessantes do capítulo é a reflexão sobre o papel da arquitetura e do ambiente construído na formação ecológica. Os espaços onde aprendemos comunicam valores.

Uma escola cercada por concreto, com poucas áreas verdes e pouca conexão com o exterior transmite uma mensagem diferente daquela que incorpora natureza, luz natural e espaços de convivência ao ar livre.

Mesmo em áreas urbanas densas, existem diversas estratégias para aproximar estudantes da natureza:

  • Paredes e telhados verdes proporcionando o conforto ambiental.
  • Jardins e hortas para atividades pedagógicas.
  • Pomares e bosques como espaços de sombreamento e experimentação.
  • Elementos construtivos em terra, madeira e outros materiais naturais alinhados ao conceito da biofilia.

Além de melhorar o desempenho ambiental das edificações, esses elementos criam ambientes mais saudáveis e estimulam a curiosidade e o cuidado com o mundo natural.

Nesse sentido, o espaço físico da escola também se torna parte do processo educativo.

Aprender com diferentes saberes

Outro aspecto relevante abordado pelas autoras é a importância de ampliar as referências de conhecimento dentro da educação ambiental. A crise climática é complexa e não pode ser compreendida apenas a partir de uma visão técnica ou científica.

Ela exige diferentes formas de conhecimento, incluindo saberes tradicionais, justiça social e engajamento comunitário. Ao reconhecer essa diversidade de perspectivas e desafios, a educação amplia sua capacidade de imaginar novos caminhos para enfrentar os desafios socioambientais contemporâneos.

Um novo jeito de ser escola

No fundo, a pergunta proposta pelas autoras é simples e poderosa:

Se alguém visitasse sua escola procurando sinais de Ecologia Integral, onde eles estariam?

Nos documentos institucionais ou nas práticas do dia a dia?

A Ecologia Integral se torna real quando aparece nas escolhas cotidianas:
no currículo, no cuidado com os espaços, na gestão de recursos, nas relações entre pessoas e na forma como a escola se conecta com o território.

São gestos sutis de sustentabilidade, repetidos diariamente, que ajudam a construir uma cultura de cuidado com a vida.

Quer se aprofundar nessa temática?

Este texto é baseado no capítulo “Desdobramentos da Ecologia Integral na gestão educacional: o que muda no nosso jeito de ser escola”, escrito por Luiza Franco e Aleluia Heringer na coletânea da ANEC sobre Gestão da Educação Básica: ações e reflexões.

A publicação reúne diferentes perspectivas sobre os desafios contemporâneos da educação básica e apresenta reflexões importantes sobre gestão escolar, formação cidadã e sustentabilidade.

Vale a leitura completa da coletânea para quem se interessa por educação e novas formas de pensar o papel das escolas na construção de futuros mais justos e regenerativos: Clique aqui!

A biofilia — termo derivado do grego bios (vida) e philia (amor, afinidade) — refere-se à conexão intrínseca do ser humano com a natureza. Na arquitetura e no design, esse conceito se traduz em soluções que aproximam as pessoas dos elementos naturais de forma sensível e orgânica. Foi a partir dessa perspectiva que a Casa Zero conduziu a consultoria para a reforma da Escola Infantil Jardim, unidade Sion, em Belo Horizonte.

Desenvolver um projeto sustentável e eficiente vai muito além do uso de produtos importados ou de soluções que se apresentam como ecológicas, mas não cumprem essa promessa. Trata-se de pensar de maneira estratégica e responsável: buscar alternativas que conciliem conforto, funcionalidade e custo-benefício, ao mesmo tempo em que se priorizam materiais de menor impacto ambiental, como a tinta mineral de terra.

Entre as soluções propostas, destacam-se os materiais com um ciclo de vida de menor impacto e com componentes menos sintéticos e mais naturais; e um paisagismo que amplia as oportunidades de contato com o verde. Ambos favorecendo a exploração sensorial.

Em entrevista, a diretora e sócio-fundadora da instituição, Letícia Martins, compartilhou sua experiência. O primeiro contato com a Casa Zero se deu por meio de Luiza, diretora e fundadora da empresa, que foi mãe de uma aluna da escola. Ao conhecer a proposta da consultoria e compreender como a sustentabilidade poderia transformar tanto o espaço educacional quanto a qualidade de vida das crianças, Letícia optou imediatamente pela parceria.

Ela ressalta que, após a consultoria, percebeu uma economia significativa. Antes, acreditava que inserir a natureza na escola exigiria grandes áreas gramadas e extensos recursos de manutenção. A Casa Zero demonstrou, porém, que a biofilia vai muito além disso, integrando elementos como ventilação cruzada e iluminação natural, que se tornaram protagonistas no projeto.

Principais soluções adotadas:

  • Piso drenante de seixos naturais – estímulo à exploração sensorial.
  • Uso de painel vertical – reuso de telas já existentes na escola.
  • Cobogó de solo-cimento – permeabilidade visual e ambiental, contribuindo também para a ventilação.
  • Paisagismo – ampliação do acesso das crianças ao verde.
  • Tinta mineral de terra – material sustentável de alta qualidade, com tonalidade que remete à terra.
  • Materiais naturais em substituição aos sintéticos – maior estímulo à interação das crianças com os espaços.
  • Pintura lúdica – recurso pedagógico que enriquece a experiência sensorial e criativa.

A seguir algumas imagens do projeto finalizado e um vídeo que mostra mais detalhes dessa consultoria:

Fotografias: Juliana Berzoine

A partir de atividades no terraço de um dos campi universitários, o Projeto de Extensão LEIA – Laboratório Ecossistêmico Interdisciplinar de Aprendizagem da a oportunidade de educadores e alunos participarem de ações de mitigação aos impactos sociais e ambientais urbanos fora da sala de aula e relacionar, diretamente, com a comunidade externa. O projeto estimula a produção de hortas urbanas com o desenvolvimento de produtos, tecnologias e métodos alternativos de construção e gestão de resíduos, além de carregar o valor à soberania alimentar.

Em entrevista à Globo, para o programa Terra de Minas, alguns participantes relataram pontos de alto valor social e ambiental: alimentar-se bem, estar em contato com a natureza, ter alimentos frescos, se apropriar de algum lugar, gastar menos, gerar renda, dar vida a um lugar, promover a socialização e a inclusão.

Ainda houve a realização de um concurso, aonde muitas foram as possibilidades em destaque nos projetos de hortas urbanas ganhadores. Promovido pelo Projeto LEIA na arquitetura coordenado pela professora Luiza Franco, também sócia da Casa Zero, dentro do Centro Universitário UNA para toda a comunidade, foi uma oportunidade de colocar a mão na massa e desenvolver protótipos que poderiam depois ser reproduzidos. Estimulando toda a sociedade a também se conectar a causa.

Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Em evento gratuito, aberto ao público, divulgado aqui e ocorrido no terraço do campus UNA João Pinheiro em 29 de novembro de 2016, sociedade e comunidade acadêmica tiveram a oportunidade de avaliar mais de 20 projetos pilotos de hortas urbanas construídos pelos alunos da arquitetura com o apoio interdisciplinar da instituição e votar naquele que mais se destacou.

Os projetos dos três primeiros lugares, incluindo cartilha explicativa sobre a concepção do projeto, os métodos construtivos, a forma de uso e manutenção, além de dicas de cultivo, você pode conferir a seguir:

1º lugar: Horta Portal

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Cartilha Horta Portal

2º lugar: Horta Bambulê

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Cartilha Horta Bambulê

3º lugar: Canteiro no Cantinho

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Cartilha Canteiro no Cantinho

Mais notícias da mídia sobre a repercussão do evento você confere nos links a seguir:

Vídeo You Tube – Extensão UNA

Notícia – Jornal Contramão

Cobertura – BH Eventos

 

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